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01 FEV 2018
Qualidade de vida depois dos Quarenta (3)
Por Jornal Abarca

Acabo de ver na televisão que o Governo se propõe legislar no sentido de uma nova redução no teor do sal, açúcar e gorduras que são postos em diversos e muito populares alimentos.

Aplaudiria a 100 por cento este propósito se a razão desta medida tivesse sido despoletada por uma preocupação com a saúde dos indígenas lusitanos, mas duvido. Pelo menos, o que mais terá impressionado o Governo foi a economia de 5 toneladas de açúcar e o poder, assim, reforçar com 8 milhões de euros o Serviço Nacional de Saúde...

Nestas medidas que mexem em hábitos enraizados, principalmente na população jovem, não seria lógico, aconselhável, democrático e económico uma prévia campanha nacional para esclarecimento dos “viciados” em batatas fritas, cereais, hamburger’s e sumos carregados de frutose? Estão à espera de um milagre ou não resistem à tentação “sinistra” de impor comportamentos “politicamente correctos”?

Claro que, se estas medidas forem para a frente, haverá muitos interesses comerciais, legítimos, a quererem torpedeá-las e por isso o Governo já anunciou que irá negociar a adopção destas medidas com a indústria alimentar.

No entanto, se esta tentativa de alimentação mais sã, se alargar aos enchidos, ao leite, às carnes de vaca e de porco, aos ovos e aos frangos de aviário será uma revolução com mais implicações na nossa vida do que o 25 de Abril...

Outras reacções expectáveis são a da classe médica e a da classe nutricionista... A primeira a negar qualquer interesse neste regime alimentar e a segunda a apoiá-lo. Nasci demasiado cedo para ver o desfecho desta “revolução” mas terá certamente consequências positivas: deixará de haver tanta ignorância quanto ao papel da alimentação na nossa saúde, os programas das faculdades terão de ser modificados e aparecerão (já estão a aparecer...) novos técnicos de saúde qualificados em medicina e nutrição.

Daqui a 20 ou 30 anos, quando for visível a melhoria da saúde pública com a melhoria da alimentação, será a vez da indústria farmacêutica espernear... Mas tudo levará o seu tempo, muito tempo mesmo. Há quem prefira morrer cedo ou ser velho doente, a privar-se daquilo que lhe sabe bem.

Muito boa gente se perguntará porque é que apareceu esta “moda” das dietas e da “alimentação racional”. O que mais contribuiu para este actual movimento foi a própria civilização. As povoações cresceram tanto que para os seus habitantes se abastecerem de alimentos deixaram de os poder comprar directamente aos produtores. Criaram-se então grandes armazéns e grandes lojas onde os produtos alimentares podem estar semanas ou meses, nas prateleiras. Para não se estragarem é preciso tratá-los com conservantes, para saberem melhor juntam-lhes aromas, para atrairem a atenção e se venderem mais põem-lhes corantes, o que parece ser uma das razões porque os cancros, as demências, a diabetes, a obesidade, os enfartes e os AVC’s aumentaram enormemente nos últimos 50 anos.

Felizes os que ainda podem escolher, entre os supermercados e os pequenos produtores da sua terra.

(continua)

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