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01 FEV 2018
Fevereiro sem Lua Cheia
Por Jornal Abarca

Como se não bastasse ser fevereiro – todos os anos - o mês com menor número de dias, também o deste ano será o único a não conter nenhuma fase de Lua Cheia. Obviamente, isso deve-se à curta duração do mês (apenas 28 dias) conjugada com o facto de ter ocorrido Luz Cheia no último dia de janeiro, razão por que a fase seguinte (com o mesmo nome) só ocorrerá cerca de trinta dias depois, ou seja, no dia 2 de março. Os astrónomos chamam “mês sinódico” a esse período de tempo – de Lua Cheia a Lua Cheia ou, em rigor, de Lua Nova a Lua Nova - o que corresponde a cerca de vinte e nove dias e meio. Dessa medida de tempo resultou o mês, que consideramos durar 30 dias, o que, com alguns caprichos de imperadores romanos, originou o nosso calendário, com meses de durações diferentes mas de modo a totalizarem cerca de 365 dias.

O outro mês – “mês sideral” – tem duração menor e, como a própria designação sugere, é medido entre duas passagens consecutivas da Lua na mesma posição do céu. Por exemplo, se notarmos a posição e o aspeto da Lua por ocasião do próximo Quarto

Crescente (dia 23 de fevereiro), verificaremos que ela se projecta ao lado da estrela Aldebarã (constelação do Touro), notável pelo seu brilho e pela cor avermelhada que apresenta. Sabemos que, na noite seguinte, a Lua estará deslocada para a esquerda dessa posição, numa amplitude correspondente ao ângulo segundo o qual vemos um dos nossos punhos, fechado e com o braço esticado e …visto com um só olho. Uma linha imaginária, saindo do olho e passando pelo lado direito do punho em direção ao ponto do céu em que se encontra a Lua e a outra, passando pelo lado esquerdo do punho, fazem entre si um ângulo próximo de 10 graus que é o que, aproximadamente, a Lua se desloca no céu – da direita para a esquerda – em vinte e quatro horas. Assim se poderá estimar, de véspera, a posição em que avistaremos o nosso satélite natural na noite seguinte.

Seguindo o trajeto da Lua com a regularidade possível (dependendo da disponibilidade de tempo, da vontade ou até das condições meteorológicas), verificaremos que ela volta ao mesmo ponto do céu no dia 22 de março (cerca de 27 dias depois) mas … não estará ainda em Quarto Crescente. Passou um “mês sideral”! Precisaremos então de esperar mais dois dias (em rigor, são dias e horas) para se ver a Lua com aspeto de metade de um queijo (Quarto Crescente), mas então vê-la-emos francamente à esquerda da posição em que a vimos a 23 de fevereiro. Este facto é consequência de chamarmos “Quarto” (Crescente ou Minguante) quando vemos metade da sua metade iluminada (daí o termo “quarto”) ou, o que é o mesmo, avistamos a porção iluminada pela luz solar que é metade da metade da Lua voltada para a Terra. No Quarto Crescente, vemos a metade do lado direito iluminado enquanto a do lado esquerdo não se vê, por – nessa ocasião - não receber luz solar.

Se o leitor tiver paciência para concretizar a sugestão de “seguir” o caminho da Lua e medir os tempos correspondentes ao “mês sinódico” e ao “mês sideral”, a sugestão seguinte poderia ser tentar imaginar como giram no espaço, a Terra em volta do Sol e, simultaneamente, a Lua em volta da Terra para, finalmente, se perceber quão fácil é reconhecer que, daqui a um mês a Terra já não estará na mesma posição do espaço pelo que é indispensável ter isso em conta, o que obriga a esperar os tais dois dias para que os raios solares iluminem a superfície lunar do mesmo modo que vinte e nove dias antes.

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