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01 FEV 2018
Tributos
Por Jornal Abarca

O que significa o início de um novo ano? Parece, à primeira vista, uma questão despicienda. Todos sabemos que pelo nosso calendário, um de entre muitos, se convencionou o início de um novo ciclo, mensura do imponderável. Mas será única e exclusivamente isso? Então por que razão lhe atribuímos tanta importância? Que significados concretos, reais e ponderáveis esta época do ano afinal possui?

Tempo invernadouro, de balanço sobretudo imediato e, por isso, numérico. A poucos preocupa que o ano transato tenha sido o segundo mais quente dos últimos 86, apesar das tempestades (por cá já passou a Ana, o Bruno, a Cármen…pelos vistos as letras serão poucas, mas, deo gratias, relativamente pacíficas), de neve brutais, das secas extremas, consequentes incêndios, dos tufões, das inundações inauditas… o buraco é esquecido ou diverte no twittermentes captas e mentecaptos que fazem a asseveração de que tal é irreal e, a existir, até seria proveitoso para derreter, com o seu aquecimento inerente, a neve, muito além do expectável em vastas regiões, com que o planeta nos presenteia, dando mais um sinal de que o ser humano se porta com ele de forma, no mínimo, imbecil. Aquelas atitudes certificam, assim, a origem da palavra mentecapto no latim.

Energúmenos.

É, então, tempo de literalmente deitar contas à vida - impostos e contas para pagar são a preocupação mais premente para o comum dos mortais, apesar do número das insolvências em empresas e particulares estar a decair no nosso país. Desde a contabilidade doméstica, com impostos gigantes que não param de se agigantar, à mais lata. Continuo a considerar monstruoso pagarmos praticamente um quarto a mais no preço de quase tudo. O Minotauro nunca está saciado. Contabilizamos as assimetrias comuns e pensamos na sedição, pouco, felizmente, que somos um país de brandos costumes e gente pacífica… Temos ponderação suficiente, o motim que faria claudicar o sistema vigente não nos convém de todo. Além disso, muitos, acérrimos - Eduardo Mendonza refere-os como os que “exerciam sobre a vida política da nação uma influência decisiva de caráter inverso; não intervinham em nada, exceto para impedir que se produzissem mudanças” - trabalham para que as mudanças consigam manter o mundo sem mudança, imutabilidade que lhes permite manter os seus privilégios. E, com este fim in mente, a motivação é, decerto, de cariz abismal.

A economia nacional, essa, dá mostras teóricas de melhoria. Dizem que afinal nós, o nosso país, as nossas finanças, já não somos lixo e assim nos fazem esquecer que, enquanto nos classificavam desse modo, ganharam muitos milhões em especulação, em juros, em anos de subserviência deste povo feliz e contente e cumpridor e acolhedor, mas (dizem) muito preguiçoso e incumpridor… As mostras são teóricas, pois quando se trata de melhorar a economia individual, ah! Afinal, ainda não estamos tão bem assim e alguma benesse faria claudicar o sistema de retoma que está firme e seguro – incongruências destes tempos… ou hipocrisias, ou sem vergonha?...

Tempo igualmente de, depois de fazer a retrospetiva do passado, olhar para o futuro e vaticinar esperanças e augúrios individuais e coletivos. Quem nunca decidiu fazer-se um ultimatumdo género “No próximo ano vou ter mais cuidado com a alimentação”…ou a economia terá a retoma prevista de x… pois, de boas intenções está o inferno cheio, diz o povo.

É um ciclo mental que termina e outro que inicia dando a ilusão de um devir eterno…

Eis o díptico ou até o tríptico a que se chega e, mesmo assim, poderemos ser sempre acusados de redutores.

Ora, bem certo é que para cada palafrém há seu palafreneiro… mas não há apenas tons negros nem tons repletos de luminosidade. Os matizes são, felizmente, inúmeros e projetam neste início de novo ciclo a riqueza de vivências e emoções.

Por fim, não sendo de todo, então, esta uma questão capciosa, convém não olvidar um provérbio australiano - “Uma pequena nuvem não pode esconder muitas estrelas.”

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