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01 MAR 2018
Bananas
Por Jornal Abarca

Originárias do Velho Mundo (Sudoeste Asiático) as bananas além de serem inimigas dos diabéticos e amigas de atletas muito devem aos portugueses na sua expansão aqui, acolá e além. Não vou aborrecer os leitores trazendo para esta crónica o dito nas Enciclopédias existentes na Internet, por essa mesma razão seria perda de tempo escrever acerca das suas qualidades alimentares cruas, cozidas, assadas, fritas, estufadas, guisadas, na alta ou baixa cozinha, na pastelaria, indústria de gelados e tutti-quanti. Do mesmo modo penso ser redundância carrear elementos relacionados com a associação das bananas ao erotismo, à pornografia, a «orações íntimas» rezadas nos colégios pelas meninas em clausura a pedido de pais severos que confiavam a educação das filhas a educadoras na maioria frustradas e feias.

As bibliografias associando as bananas ao universo do erotismo é enorme dada a imaginação criativa dos autores, no entanto, as possibilidades de visão ao alcance dos utilizadores das tecnologias de ponta são gigantescas, reside aí a causa da decadência das literaturas «vermelhas» ressalvando-se os grandes clássicos dada a sua elevada qualidade literária e artística, pensemos nas requintadas edições desse género.

Também dissertar acerca das bananas no domínio do humor é cousa do passado, as gargalhadas suscitadas quando o Bucha e o Estica caíam ao escorregarem numa casca de banana estão encerradas nas cinematecas, os criativos de agora desprezam-nas mesmo quando lhe chamam plátanos em espanhol, porque agora as Bananas estão reduzidas à condição de alimento rico em vitamina A e C, forte em potássio e levemente radioactiva.

Longe vão os tempos de os soldados portugueses enviados para serem bodes expiatórios da política cega salazarista no tocante às colónias, nessa época, inúmeros militares só tomaram conhecimento da existência de bananas ao lá chegarem não sendo falso o episódio jocoso de ali ou acolá serem mordidas com a casca. Se estudarmos as transformações alimentares resultantes da Guerra colonial verificamos terem sido muitas, de várias tonalidades, aromas e sabores.

Os «caçadores de frutas» nesta altura só gastam energias na captura de frutas novas ou de espécies resultantes de experimentações cruzadas, todavia alguns estudam a sua génese e itinerâncias até agora. Por essa razão ficaram admirados ante a perseverança de um frade dominicano nascido em Barlanga, uma pequena povoação nas proximidades de Badajoz, de nome Tomás, mais tarde Bispo do Panamá, a difusão das bananas naquele continente muito lhe deve. Os mais idosos recordam-se do chapéu de frutas na cabeça da cantora e atriz portuguesa Carmem Miranda, estou em crer que um dos frutos era uma banana.

E, agora revelo o motivo da crónica dedicada às bananas. É tão só as continuadas e expressivas cambalhotas de políticos e parentela partidária derivadas do seu excessivo consumo, por um lado a produzir frequentes esquecimentos e narcísicas visões. Senão vejamos: os poluidores do Tejo confiados na falta de memória logo de vontade dos decisores dão-se ao luxo de ignorar normas e regulamentos deliciando-se a torturar o grande rio enquanto colocam nos lábios torrões de banana flambeada em rum, por seu turno os magistrados do MP declararam o segredo de justiça às análises dos efluentes expelidos por uma empresa de celulose, no palco os papagaios partidários falam e gritam (só faltam as lágrimas de crocodilo) rasgando as vestes dado o lastimoso estado do outrora famoso, formoso, forte e fecundo rio. As feias acções perpetradas contra ele abastardaram-no, se me é permitida, o Tejo está reduzido à condição de penico do Ribatejo. Uma vergonha!

Referi a visão narcísica na justa medida de a casca de bananas ter várias aplicações, uma delas e conceder inusitado brilho aos sapatos de polimento. Ora, esses sapatos acolhem os pés de demagogos, demgagos, comentadores, analistas, especialistas, investigadores e outros tenores peritos no arfar e respirar do nosso desprezado rio, no entanto, não o conseguem libertar da ganga poluente que lhe ataca fortemente os pulmões. Pobre rio!

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