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NOVEMBRO '07
 
 
CEMITÉRIOS DIFERENTES
 
 
 
 
SÓNIA PACHECO
 
TRAMAGAL Cemitério velho recuperado. Agora só falta a estrada
No Tramagal o velho cemitério foi recuperado por uma habitante, em Casais de Revelhos o cemitério é pertença do povo e o novo campo dos mortos em Abrantes obedece a um estilo americano.
O Dia de Finados é assinalado pela Igreja Católica com a celebração de uma Missa por alma de todos os que já faleceram. Em muitos locais esta cerimónia tem lugar nas capelas anexas aos cemitérios. Nas campas colocam-se flores e acendem-se velas. Mas nem todos os cemitérios são iguais. Em Casais de Revelhos, Alferrarede, o cemitério tem a particularidade de ser pertença do povo. “O cemitério deve cá estar desde que está a Igreja”, diz Maria Alzira Marques que faz parte de uma comissão de três pessoas que gere a Igreja e o cemitério. É ela que avisam quando alguém morre na aldeia. E, de imediato, Maria Alzira vai até à Igreja para “dar os sinais” e abrir a casa mortuária. Mas são os funcionários da Junta de Freguesia que abrem a cova. “Depois os familiares dão uma gratificação aos homens”. Neste cemitério as covas não podem ser compradas, o espaço é pequeno e está totalmente ocupado. Por isso, “vão-se abrindo pelas mais velhas. As pessoas gostavam que as campas fossem guardadas, mas não pode ser”. Quanto à limpeza, “às vezes é a Junta, outras vezes são as pessoas”, refere Maria Alzira Marques e conclui: “Achava bem que o cemitério fosse da Junta, mas o povo é que manda”. Em Tramagal, o cemitério velho “estava esquecido há muitos anos. Era um bosque”, conta Teresa Lino que, em 2006, pensou em recuperá-lo. Com a ajuda de várias pessoas amigas, as obras foram concluídas em Julho deste ano. “Comecei devagarinho e fiz ali as obras, sobretudo limpeza de arbustos, ervas, arranjo de muros e a construção do passeio central”. Teresa Lino considera que seria difícil para a Junta de Freguesia, portanto, quis “contribuir para a terra e celebrar a memória de todos os que a fundaram”, já que é ali que estão sepultadas os residentes e naturais mais antigos do Tramagal. “Muitas pessoas de idade tinham medo de lá ir. Agora vão e levam os filhos e os netos, o que é bom para os mais novos terem conhecimento dos seus antepassados que ali estão”. Com a construção do cemitério novo, muitas pessoas trasladaram as ossadas dos seus familiares. Mas esse campo “está quase cheio e talvez um dia retomem ao antigo que tem muitos espaços livres”.
Também em Abrantes, o novo cemitério de Santa Catarina distingue-se pelo seu estilo americano. As sepulturas, construídas em betão, seladas e cobertas com relva, não são vendidas, assim como, não é autorizada a colocação de qualquer revestimento, nem a utilização de adornos como vasos para plantas ou flores de plástico. É apenas permitida uma lápide, um formato pré-definido, para identificação do óbito. Com um estilo muito diferente daquilo a que a cultura portuguesa está habituada, este cemitério, já benzido, espera há longo tempo para ser inaugurado.