O Dia de Finados é assinalado pela Igreja Católica
com a celebração de uma Missa por alma de
todos os que já faleceram. Em muitos locais esta
cerimónia tem lugar nas capelas anexas aos cemitérios.
Nas campas colocam-se flores e acendem-se velas. Mas nem todos os cemitérios são
iguais.
Em Casais de Revelhos, Alferrarede, o cemitério
tem a particularidade de ser pertença do povo.
“O cemitério deve cá estar desde que está a Igreja”,
diz Maria Alzira Marques que faz parte de
uma comissão de três pessoas que gere a Igreja
e o cemitério. É ela que avisam quando alguém
morre na aldeia. E, de imediato, Maria Alzira vai
até à Igreja para “dar os sinais” e abrir a casa
mortuária. Mas são os funcionários da Junta de
Freguesia que abrem a cova. “Depois os familiares
dão uma gratificação aos homens”. Neste
cemitério as covas não podem ser compradas, o
espaço é pequeno e está totalmente ocupado. Por
isso, “vão-se abrindo pelas mais velhas. As pessoas
gostavam que as campas fossem guardadas,
mas não pode ser”. Quanto à limpeza, “às vezes
é a Junta, outras vezes são as pessoas”, refere
Maria Alzira Marques e conclui: “Achava bem que o cemitério fosse da Junta, mas o povo é que
manda”.
Em Tramagal, o cemitério velho “estava esquecido
há muitos anos. Era um bosque”, conta Teresa
Lino que, em 2006, pensou em recuperá-lo.
Com a ajuda de várias pessoas amigas, as obras
foram concluídas em Julho deste ano. “Comecei
devagarinho e fiz ali as obras, sobretudo limpeza
de arbustos, ervas, arranjo de muros e a construção
do passeio central”. Teresa Lino considera
que seria difícil para a Junta de Freguesia, portanto,
quis “contribuir para a terra e celebrar a
memória de todos os que a fundaram”, já que é ali que estão sepultadas os residentes e naturais mais antigos do Tramagal. “Muitas pessoas de
idade tinham medo de lá ir. Agora vão e levam os
filhos e os netos, o que é bom para os mais novos
terem conhecimento dos seus antepassados que
ali estão”. Com a construção do cemitério novo,
muitas pessoas trasladaram as ossadas dos seus
familiares. Mas esse campo “está quase cheio e
talvez um dia retomem ao antigo que tem muitos
espaços livres”.
Também em Abrantes, o novo cemitério de Santa
Catarina distingue-se pelo seu estilo americano.
As sepulturas, construídas
em betão, seladas
e cobertas com relva,
não são vendidas, assim
como, não é autorizada
a colocação de
qualquer revestimento,
nem a utilização de
adornos como vasos
para plantas ou flores
de plástico. É apenas
permitida uma lápide,
um formato pré-definido,
para identificação
do óbito. Com um
estilo muito diferente
daquilo a que a cultura
portuguesa está habituada,
este cemitério,
já benzido, espera há
longo tempo para ser inaugurado. |