Pelo menos cinquenta empresas da Beira Interior prevêem despedir pessoal e cinco até podem fechar portas ou mudar-se para Espanha caso sejam cobradas portagens nas A23 e A25. Quem avança o número é o movimento Empresários pela Subsistência do Interior que levantou a informação junto de meia centena de empresários e associações de Abrantes e Viseu.
O movimento decidiu fazer este levantamento para convencer o Governo e os partidos a travarem a cobrança naquelas auto-estradas. Luís Veiga, um dos dinamizadores, diz que o estudo será entregue até final do mês.
Os custos das empresas com as portagens “podem chegar aos 250 mil euros por ano, sendo que a maioria deverá pagar 35 mil euros por ano”, valores incomportáveis para empresas em regiões despovoadas, referiu.
Além disso, o movimento defende que as SCUT do Interior são diferentes daquelas onde já há portagens, porque “são instrumentos de trabalho sem alternativas”, destacou Ricardo Fernandes, outro empresário.
“O drama vai ser nas pequenas empresas que vendem produtos com pouco valor acrescentado e que não vão conseguir traduzir esses custos nos preços: é um custo directo, é prejuízo e no final de alguns anos é a razão de encerramento”, realçou.
Para o empresário, “quem assinar as portarias que traduzam os preços destas portagens tem que perceber que está a assinar a morte a muitas empresas e postos de trabalho”.
Luís Veiga acredita que o Governo “vai adiar e avaliar a decisão”, face aos números que vão ser apresentados como consequência da cobrança de portagens. Para já “os números” são a “arma” dos empresários, segundo referem, mas, caso a decisão de introduzir portagens a partir de 15 de Abril se mantenha, “todas as medidas estão em cima da mesa”, destacou Luís Veiga.
“Introduzir portagens nas auto-estradas do Interior do país foi uma decisão precipitada, para aprovação do Orçamento do Estado, sem conhecimento da realidade desta região”, concluiu o empresário António Ezequiel. |
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