Os combustíveis deverão sofrer um aumento muito alto na próxima semana (9 a 15 de Março) segundo as previsões do sector, reflexo da guerra iniciada no Médio Oriente no último sábado quando os Estados Unidos da América atacaram o Irão.
Assim, na próxima semana é expectável um aumento do preço do gasóleo em 25 cêntimos por litro, enquanto a gasolina deverá ficar 7 cêntimos por litro mais cara. Este incremento do preço do gasóleo supera o aumento de 14 cêntimos por litro registado em Fevereiro de 2022 após o início da guerra na Ucrânia (nessa altura a gasolina aumentou 8 cêntimos por litro).
Importa sublinhar que esta estimativa é feita com base nas cotações a meio da manhã desta sexta-feira, dia 6 de Março, e que apenas ao final do dia será possível aferir o valor exacto do aumento para a próxima semana. Ainda assim, os valores dos aumentos apurados nesta estimativa não andarão muito afastados da realidade.
Deste modo, segundo os dados da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), o preço médio do gasóleo simples irá fixar-se nos 1,884€/litro enquanto o gasóleo aditivado se regerá em média pelo preço de 1,911€/litro. Já a gasolina simples passará a custar em média 1,775€/litro enquanto a gasolina especial 95 octanas irá tabelar-se pelos 1,801€/litro.
Estes valores, tenha em consideração, variam de região para região e de posto para posto. Para saber o preço médio diário do combustível poderá consultar os dados da DGEG aqui.
Governo prometeu mexer no ISP, mas ANAREC considera insuficiente
Perante a perspectiva de um aumento brutal no preço dos combustíveis, o Primeiro-Ministro Luís Montenegro tinha prometido durante o debate quinzenal durante o dia de ontem, quinta-feira, tinha admitido mexer no Imposto sobre Produto Petrolíferos e Energéticos (ISP) para compensar a subida dos preços, caso o aumento fosse de pelo menos 0,10€ por litro.
Isso significaria que, com o desconto, o preço do gasóleo sofreria um aumento aproximado de 0,20€/litro (em vez dos 0,25€/litro), mas a gasolina não seria afectada pelo alívio no ISP visto que a subida prevista do preço é inferior aos 10 cêntimos que Luís Montenegro referiu.
Perante isto, a Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis considera a medida não é suficiente para aliviar os bolsos dos portugueses: "O Governo dizer que vai reduzir o ISP na mesma proporção é completamente insuficiente para aquilo que seria de esperar", referiu Mafalda Trigo, vice-presidente da ANAREC em entrevista no Canal NOW.
Resta saber se, perante um aumento 150% superior ao valor referido por Luís Montenegro como referência para baixar o ISP, se o Governo tomará medidas acessórias de forma a compensar esta subida.