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26 MAI 2026
SAÚDE | ULS Médio Tejo reforça cirurgia de ambulatório e prepara duas salas operatórias modernas em Torres Novas
Por Jornal Abarca
O Centro de Responsabilidade Integrado de Cirurgia de Ambulatório (CRIAmb) da Unidade Local de Saúde do Médio Tejo (ULS Médio Tejo) encerrou 2025 com mais atividade, maior peso da cirurgia ambulatória e circuitos assistenciais mais autónomos, preparando agora uma nova etapa em Torres Novas, onde o Hospital passará a dispor de duas salas operatórias modernas, num investimento de cerca de 400 mil euros.
 
Criado no final de 2024 para reorganizar o percurso cirúrgico dos utentes que não necessitam de internamento convencional, o CRIAmb tem vindo a consolidar um modelo transversal de cirurgia de ambulatório, que reúne diferentes especialidades médicas em circuitos próprios e processos comuns, aumentando a eficiência e a produtividade da resposta cirúrgica.
 
O objetivo é garantir que o doente realiza todo o seu percurso — da admissão ao acompanhamento pós-alta — num verdadeiro ambiente de ambulatório, com equipas dedicadas, maior previsibilidade e menor contacto com a complexidade do internamento hospitalar. Ao transferir para circuitos autónomos os procedimentos que não exigem hospitalização, este modelo vem melhorar a experiência do utente e liberta camas de internamento para situações clínicas mais graves ou complexas.
 
Em 2025, os resultados confirmaram o reforço da resposta assistencial. A Cirurgia Geral realizou 694 cirurgias em circuito independente, correspondendo a 78% da atividade ambulatória da especialidade e quase duplicando a meta definida de 360 cirurgias. A Urologia também superou a meta contratualizada com o CRIAmb, com 124 intervenções em circuito independente face ao objetivo de 108. A Otorrinolaringologia consolidou a realização de programas puros de ambulatório e a Unidade da Dor realizou toda a sua atividade ambulatória em circuito independente.
 
A reorganização traduziu-se também num aumento da atividade média mensal em circuito independente. Comparando com o período anterior à implementação do CRIAmb, a Cirurgia Geral passou de 23,1 para 32,1 cirurgias por mês, a Intervenção na Dor de 2,4 para 10,4 e a Urologia de 1,8 para 8,4. Na Otorrinolaringologia, a atividade atingiu uma média de 7,9 cirurgias mensais neste circuito.
 
Ao longo do último ano, a cirurgia de ambulatório reforçou o seu peso no conjunto da atividade cirúrgica da ULS Médio Tejo. A taxa de procedimentos ambulatorizáveis subiu para 85,96%, face aos 80,12% registados em 2023. No mesmo período, a equipa multidisciplinar do CRIAmb apoiou 7.161 intervenções cirúrgicas e deu resposta a 1.446 programas operatórios de várias especialidades. Do total da atividade acompanhada, 74% da cirurgia de ambulatório decorreu em circuitos exclusivamente dedicados a este regime, 15% correspondeu a cirurgia convencional em programas de internamento e apenas 11% integrou programas mistos.
 
A consolidação deste modelo assentou no trabalho de uma equipa multidisciplinar, envolvendo 32 enfermeiros e 16 assistentes técnicos auxiliares de saúde, em parceria com as especialidades cirúrgicas, anestesiologia e consulta externa, num esforço conjunto de reorganização de circuitos, adaptação de equipas e reforço da resposta cirúrgica em ambulatório.
 
O balanço de 2025 integra ainda indicadores ligados à experiência dos utentes. Foram recolhidas 340 respostas sobre a experiência do doente, com uma mediana global de satisfação de 4,58 numa escala de 1 a 5.
 
 
Torres Novas prepara nova etapa da cirurgia de ambulatório
A próxima etapa do desenvolvimento do CRIAmb passa pela remodelação e ampliação do Bloco Operatório de Torres Novas, uma intervenção considerada estratégica para o reforço da cirurgia de ambulatório na ULS Médio Tejo.
 
Após as obras previstas para este ano, orçadas em cerca de 400 mil euros, o Hospital de Torres Novas passará a dispor de duas salas operatórias modernas, com capacidade de pernoita na própria unidade e acompanhamento dedicado pela equipa multiprofissional e pela anestesiologia. Esta intervenção permitirá aumentar a capacidade instalada, reforçar a autonomia do circuito ambulatório e criar melhores condições para responder a mais utentes em regime de ambulatório, libertando o internamento convencional para situações clínicas mais complexas.
 
Com esta ampliação, Torres Novas assumirá um papel reforçado na resposta cirúrgica da ULS Médio Tejo, contribuindo para uma melhor distribuição da atividade no território e para uma maior diferenciação dos circuitos assistenciais. A Unidade de Cirurgia de Ambulatório de Tomar ficará maioritariamente vocacionada para Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Intervenção na Dor, enquanto Torres Novas passará a concentrar uma resposta cirúrgica ambulatória reforçada, apoiada em novas condições físicas e funcionais.
 
Em 2026, com o Contrato Programa já assinado, o CRIAmb continuará focado na consolidação dos circuitos independentes, na redução da lista de inscritos para cirurgia de ambulatório, na transferência progressiva de atividade para a futura Unidade de Cirurgia de Ambulatório de Torres Novas e na avaliação do valor gerado em saúde para os utentes.
 
Para Casimiro Ramos, Presidente do Conselho de Administração da ULS Médio Tejo, “o CRIAmb está a provar que reorganizar é melhorar. Em 2025 tivemos mais atividade, melhor aproveitamento da resposta cirúrgica e sinais claros de que este modelo está a gerar ganhos para os utentes e para o Serviço Nacional de Saúde, afirmando-se como uma aposta estratégica da ULS Médio Tejo. Ainda temos um caminho a fazer, para alcançar os índices adequados de nível de atividade, mas com a dedicação do Bloco Operatório de Torres Novas para a atividade de Ambulatório esses objetivos serão alcançados a curto prazo”.
 
Miguel Reis, Diretor do CRIAmb, sublinha que “o novo modelo já está a produzir resultados e confirma o seu potencial, mas a ambição do CRIAmb vai muito além deste primeiro balanço. O que foi alcançado em 2025 dá-nos confiança para o futuro, sabendo que há ainda um caminho exigente pela frente para aumentar a capacidade de resposta, aprofundar a organização dos circuitos e reforçar a qualidade assistencial”.
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