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A população de Árgea, no concelho de Torres Novas, está empenhada em impedir a instalação de uma Unidade de Biometano na aldeia. Consideram que a operação da empresa Gás da Terrra acarreta inúmeros prejuízos de saúde pública e ambientais. Para travar o processo, que se encontra em consulta pública até 3 de Julho, foi criada
uma petição online.
Os promotores mostram preocupação com a circulação na aldeia de 97.892 toneladas anuais de chorume, estrume, tecidos animais e gorduras, o equivalente a 268 toneladas por dia durante os próximos 30 anos: “Tráfego pesado em estradas estreitas, emissões de H2S e amoníaco, risco de contaminação dos poços, desvalorização das casas” são alguns dos problemas apontados pelos promotores que pretendem chegar às cinco mil assinaturas.
O projecto prevê a construção de uma unidade de grande dimensão destinada à produção de biogás a partir de resíduos orgânicos. Segundo a informação disponível, a instalação poderá ocupar uma área aproximada de vários hectares e tratar volumes significativos de resíduos provenientes de diferentes origens.
Entre as principais preocupações manifestadas pela população estão a proximidade da unidade a zonas habitacionais, o impacto de odores associados ao tratamento de resíduos orgânicos e os possíveis efeitos na qualidade do ar.
Os moradores alertam ainda para o risco de contaminação de linhas de água e aquíferos locais, numa zona onde ainda existem habitações dependentes de poços e captações próprias. O aumento de tráfego pesado, devido à circulação de camiões para transporte de matériaprima e subprodutos, é outro dos pontos criticados.
Por isso, o lema é claro: “Defender Árgea não é egoísmo, é cidadania”.
Autarquia também levanta reservas
A posição da Câmara Municipal de Torres Novas e de vários autarcas locais tem vindo a acompanhar as preocupações da população. Em declarações públicas, responsáveis municipais consideram que a localização proposta poderá não ser adequada, sobretudo devido à proximidade a habitações e à inserção da unidade em área rural com ocupação dispersa.
A autarquia defende que este tipo de infraestruturas, embora reconhecidas como importantes no contexto da transição energética e da valorização de resíduos, deve ser planeado com critérios de maior afastamento de zonas residenciais e com garantias adicionais de segurança ambiental.
José Trincão Marques, presidente da autarquia, defendeu publicamente que “Torres Novas não tem aptidão para receber uma unidade deste tipo”.
O futuro do projeto dependerá agora dos processos de avaliação e licenciamento em curso, incluindo pareceres
técnicos e eventuais consultas públicas. A população local promete manter-se atenta ao desenvolvimento do processo e não exclui novas formas de contestação caso a localização se mantenha inalterada.