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29 JUL 2026
TORRES NOVAS | 96,5% contra a instalação da unidade de biometano em Árgea
Por Jornal Abarca
414 das 429 participações na consulta pública manifestaram oposição à instalação da unidade de biometano em Árgea (Torres Novas). A população não desarma e a autarquia crê que o PDM impede que o projecto se instale no local.
 
O relatório da consulta pública relativa ao projecto de instalação de uma unidade de produção de biometano em Árgea, que terminou no dia 3 de Julho, revela que foram submetidas 429 participações, das quais 414 manifestam oposição ao projecto. Registaram-se ainda 14 pareceres favoráveis e três contributos com sugestões.
 
De acordo com o documento a maioria das participações desfavoráveis não questiona a produção de biometano enquanto fonte de energia renovável nem a necessidade de promover a transição energética. As principais críticas incidem, sobretudo, sobre a localização prevista para a infraestrutura, considerada demasiado próxima
da povoação de Árgea e de outras localidades vizinhas.
 
A escolha do local tem motivado uma forte contestação por parte de moradores, autarcas e movimentos cívicos, que defendem a relocalização para uma zona onde o seu funcionamento tenha menor impacto sobre a população.A população do concelho de Torres Novas vive ainda com as memórias bem presentes dos problemas ambientais causados em Carreiro da Areia por outra unidade industrial e que levou a anos de luta dos cidadãos.
 
Entre os aspectos que, segundo os contestatários, mereciam maior destaque encontra-se precisamente o passivo ambiental associado à antiga Fabrióleo, a proximidade da conduta adutora de Castelo do Bode, os numerosos pedidos de esclarecimento formulados pela Comissão de Avaliação e a inexistência de medições de odores realizadas de acordo com a norma europeia.
 
Os opositores apontam igualmente dúvidas quanto à origem da água necessária ao funcionamento da unidade, às questões legais relacionadas com o enquadramento do projecto e às previsões de concentrações de amónia identificadas no Estudo de Impacto Ambiental.
 
População mantém-se firme e com o apoio da autarquia
Entretanto realizou-se no dia 20 de Julho uma vigília nocturna de protesto contra o projecto que juntou cerca de 200 pessoas em Árgea.
 
O presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, José Trincão Marques, já se manifestou publicamente contra a localização escolhida para o investimento e inclusive garante que o Plano Diretor Municipal não
permite aquele tipo de instalação no terreno previsto.
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