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29 JUL 2026
FUTEBOL | O português que deu vida ao soccer
Por Jornal Abarca
Foto: DR
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Francisco Marcos nasceu há 80 anos no Bombarral, longe de imaginar que seria uma das figuras mais importantes do futebol – ou soccer – nos EUA. Entre 11 de Junho e 19 de Julho jogou-se na América do Norte mais um campeonato do mundo de futebol, com a final a disputar-se em Nova Iorque. De facto, uma das minhas primeiras memórias futebolísticas – e de vida, porque em criança as duas se misturaram – é a realização do mundial de futebol de 1994, também nos EUA: brilhou Romário, caiu de pé Baggio.

Mas durante décadas, o futebol foi um desporto de expressão reduzida nos States. Muito antes dos estádios cheios para jogos da Major League Soccer (MLS) e da chegada de estrelas internacionais, houve quem acreditasse que o futebol poderia conquistar o país. Entre essas figuras destaca-se este português.

 

Na terra dos sonhos
Francisco Marcos emigrou para os Estados Unidos a 3 de Dezembro de 1961, com apenas 15 anos, e a nuvem da Guerra Colonial que começava a pairar sobre a vida dos mais jovens. Para trás ficavam os estudos no Colégio Nun’Álvares, em Tomar.

Num país onde osoccer vivia à sombra do futebol americano, do basebol, do basquetebol ou do hóquei no gelo, percebeu que o seu crescimento dependia da criação de uma estrutura sólida, sustentável e profissional.

Foi com essa visão que em 1986, enquanto Maradona eternizava a Mão de Deus no vizinho México, assumiu a liderança da Southwest Indoor Soccer League, uma pequena competição regional. Sob a sua direção, a liga cresceu rapidamente, expandindo-se para outras regiões e transformando-se, anos mais tarde, na United Soccer Leagues (USL), organização que viria a tornar-se um dos pilares do futebol norte-americano.

“Casei-me muito tarde, porque a minha primeira esposa foi a Liga. Casei-me com a Beverly já com 57 anos. O meu filho mais velho já tinha nessa altura dez anos. Tenho ainda uma filha e tenho dois netos: o mais velho é sócio do Sporting desde os dois dias, o segundo nasceu hoje e estou à espera da certidão de nascimento para lhe dar o mesmo destino”, confidenciava ao Mais Futebol em 2024.

Durante os anos 90, numa fase em que o futebol profissional nos Estados Unidos ainda procurava afirmar-se, a USL serviu de plataforma para centenas de clubes e milhares de atletas. Muitas cidades que hoje respiram futebol tiveram as suas primeiras equipas profissionais graças ao trabalho desenvolvido sob a liderança de Francisco Marcos.

O dirigente português incentivou também a criação de competições femininas, ligas juvenis e programas de formação, contribuindo para o desenvolvimento de uma verdadeira cultura futebolística nos EUA. Sob a sua liderança passaram centenas de clubes, muitos dos quais serviram de base para o desenvolvimento de jogadores que mais tarde representariam a seleção norte-americana ou ingressariam na MLS.

Em 2024, esse percurso recebeu uma das maiores distinções possíveis. Francisco Marcos foi eleito para o National Soccer Hall of Fame. A distinção reconheceu não apenas uma carreira de sucesso enquanto dirigente, mas sobretudo uma visão que ajudou a mudar o panorama do desporto nos Estados Unidos.

Talvez poucos conhecam o nome de Francisco Marcos. No entanto, grande parte do mediatismo que se viu no último mês e meio nos EUA assenta no trabalho discreto, persistente e visionário de um emigrante português que acreditou no potencial de um desporto ainda marginal.

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