Home »
08 OCT 2026
CONSTÂNCIA | Assembleia Municipal aprova o nome do Professor Máximo Ferreira para baptizar o Centro Ciência Viva
Por Jornal Abarca

A Assembleia Municipal de Constância aprovou, por unanimidade, uma proposta de recomendação à Câmara Municipal para “a atribuição do nome do Professor Máximo Ferreira ao Centro Ciência Viva de Constância”. A proposta, apresentada pela bancada da CDU, foi acolhida por todas as forças políticas na sessão realizada a 25 de Setembro.

Máximo de Jesus Afonso Ferreira é uma referência na área da astronomia e dedicou grande parte do seu percurso ao Centro Ciência Viva de Constância, equipamento que ajudou a criar e que dirigiu durante vários anos. Para os proponentes, o fim das suas funções constitui “uma oportunidade particularmente adequada para reconhecer e perpetuar esse contributo”, através da atribuição do seu nome a um espaço considerado singular no panorama nacional.

Actualmente, é presidente da direcção da Associação da Casa-Memória de Camões em Constância, da ADPCC – Associação de Defesa do Património do Concelho de Constância e cronista do Jornal Abarca.

“Falar de Máximo Ferreira é falar de uma personalidade única no país na divulgação da ciência astronómica que contribuiu decisivamente para a afirmação de Constância no panorama nacional”, destaca a recomendação aprovada pela Assembleia Municipal.

 

De Bicicleta até às Estrelas

Em Agosto de 2018, na edição 418, o Jornal Abarca publicou um trabalho sobre o Centro Ciência Viva de Constância, com um capítulo dedicado ao Professor Máximo Ferreira, que aqui republicamos na íntegra:

Máximo Ferreira nasceu no dia 10 de Novembro de 1946 em Montalvo, no concelho de Constância. Completou o ensino primário na terra natal mas aos 12 anos começou a trabalhar na Metalúrgica Duarte Ferreira (MDF), no Tramagal, onde o pai já era operário há muitos anos.

O sonho de ir mais além era mais forte que o cansaço e as directrizes sociais da época. Aos 14 anos entrou na Escola Industrial e Comercial de Abrantes e durante três anos a sua rotina serve de lição para aqueles que hoje em dia desistem dos seus objectivos de forma tão leviana como diariamente assistimos: acordava às 6.00h para ir trabalhar para a MDF e às 16.00h voltava para Montalvo. “À noite ia para Abrantes de bicicleta para estudar”, diz com uma simplicidade e um sorriso no rosto demasiado descomplicado para quem vê nisto uma luta dura demais para quem apenas queria estudar. Nesta altura fazia cerca de 50 quilómetros diários de bicicleta para ir trabalhar e estudar. “Eu queria mais”, justificando assim qualquer assombramento de estranheza por quem o ouve relatar esta vida tão dura de forma tão natural.

Concluído o curso de electricista, seguiu-se então a Marinha, prestes a completar dezoito anos, onde estudou Electricidade, Electrónica e Comunicações. Aos 22 anos começa a fazer missões nos submarinos onde ficaria até 1972: “Cheguei a estar 9 dias seguidos debaixo de água”, conta. Fica até 1975 como militar na Marinha mas continua as suas funções como civil, até porque em 1973 começa a dar aulas na instituição. Nesta altura Máximo Ferreira contava 27 anos e a questão, à luz dos dias de hoje, torna-se legítima: “Então e a paixão pela astronomia, quando surge?”.

Máximo ri e explica que essa é uma paixão que surge quase por acaso e já adulto. Quando, ainda jovem, pedalava entre Montalvo e Abrantes estava longe de sonhar que as estrelas que lhe iluminavam o caminho o iriam guiar na vida. É em 1973 quando começa a trabalhar como responsável da parte electrónica do planetário da Marinha que a paixão pela astronomia e pela física surge. Fica no planetário até 1988 quando se transfere para a Universidade de Lisboa onde trabalhou até 2004, altura em que se reformou e voltou, quarenta anos depois, à sua terra natal e garante não ter saudades da capital, até porque “sempre fui criando outras coisas”. É nesta altura que, entre risos, solta um curioso: “Olhe, até fui sacristão e toquei na banda de Rio de Moinhos”.

Desde então é coordenador científico e, mais do que qualquer cargo, o rosto do Centro Ciência Viva em Constância. Pelo meio, entre 2009 e 2013 foi presidente da autarquia. A aventura política, aos 63 anos, parece completamente fora da linha que foi o percurso académico e científico de Máximo Ferreira, mas o próprio justifica: “Dava-me bem com o presidente António Mendes, pela relação entre o Centro Ciência Viva e a autarquia, e ele convidou-me a concorrer e acabei por aceitar o desafio”. A política não lhe deixa saudades mas não se penitencia por ter arriscado: “Não me arrependo e orgulho-me do trabalho que fiz, mas não gostei das relações políticas com as pessoas responsáveis”, lamenta.

(0) Comentários
Escrever um Comentário
Nome (*)

Email (*) (não será divulgado)

Website

Comentário

Verificação
Autorizo que este comentário seja publicado



Comentários

PUB
crónicas remando
PUB
CONSULTAS ONLINE
Interessa-se pela política local?
 70%     Sim
 30%     Não
( 454 respostas )
© 2011 Jornal Abarca , todos os direitos reservados | Mapa do site | Quem Somos | Estatuto Editorial | Editora | Ficha Técnica | Desenvolvimento e Design