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22 MAI 2023
OPINIÃO | "Cartão Branco e sua banalização", por Nuno Pedro
Por Jornal Abarca

Implementado num passado ainda não muito distante, primeiramente nas competições organizadas pelas associações de futebol distritais e regionais e mais recentemente em algumas provas sob a égide da Federação Portuguesa de Futebol, o Cartão Branco tem como objetivo primeiro reconhecer, destacar e recompensar comportamentos eticamente relevantes, protagonizados por jogadores, treinadores, dirigentes e outros agentes envolvidos no jogo, como também pelo público. Ou seja, ao contrário dos cartões amarelo e vermelho, os quais são usados para punir comportamentos antidesportivos, o Cartão Branco é exibido a todos aqueles que demonstram um comportamento exemplar. Não tem qualquer consequência no resultado do jogo, mas serve como reconhecimento de comportamento positivo. Uma iniciativa que tem tido uma enorme aceitação por todos quantos estão envolvidos no fenómeno futebolístico, numa assunção clara de que o futebol deve ser jogado dentro de um quadro pautado pelo respeito e Fair-Play.

Contudo e reconhecendo-me no imediato como um defensor indefetível da sua utilização, a realidade mostra-nos que a banalização da amostragem do Cartão Branco tem vindo a acontecer de forma que poderemos considerar quase como vulgar, contrariando, na minha opinião, o espírito que lhe está subjacente. Quero com isto dizer que neste momento passou quase a ser corriqueira a sua amostragem, ao invés de apenas ser feita em situações peculiares e de verdadeiro impacto naquilo que são os “acontecimentos” dignos de registo e que não desmereçam o verdadeiro significado do Cartão Branco.

Um simples estender de mão a auxiliar um colega a levantar-se, a assistência médica a um jogador da equipa adversária, entre outros exemplos, ou seja, aquilo que é uma prática comum, ou deveria ser, é elevada aos píncaros do Fair-Play, apelando-se de pronto à exibição do Cartão Branco a quem desempenha esse tipo de atitude. Com a agravante de muitos dirigentes e pais ou encarregados de educação levantarem a sua voz, alto e bom som, a reivindicar, por dá cá aquela palha, a amostragem de cartões brancos sem quaisquer critérios que os suportem.

Urge, por estas e outras razões que poderiam ser apresentadas, refletir sobre, não o Cartão Branco, mas aquilo que deverão ser as regras que justifiquem a sua amostragem.

Porque sendo a exibição do Cartão Branco uma prerrogativa que o árbitro possui em determinado momento de jogo para enaltecer os ditos comportamentos positivos, ao mesmo tempo reforça igualmente a imagem do próprio árbitro, o qual deve evidenciar também uma imagem positiva. Mas apenas quando haja razões plausíveis para isso acontecer.

Porque só assim faz sentido a sua existência.

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