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03 NOV 2011
VEIGA MALTEZ DÁ RECEITA PARA ULTRAPASSAR A CRISE: "NOBREZA, GENEROSIDADE, ARDÊNCIA E CAPACIDADE DE SOFRIMENTO COMO O PURO-SANGUE LUSITANO"
Por RICARDO ALVES

 

José Veiga Maltez, 55 anos, presidente da Câmara Municipal da Golegã desde 1998, vê a vila abrir portas mais uma vez à Feira Nacional do Cavalo e à Feira Internacional do Cavalo Lusitano. São esperados cerca de um milhão de visitantes mas nunca como noutras edições, as dificuldades financeiras nacionais e internacionais se mostraram tão gravosas. Nada que inquiete o optimismo do presidente, crente num bom Verão de São Martinho, na feira como antidepressivo e na capacidade dos portugueses em ultrapassar a crise, com o temperamento característico do Puro-Sangue Lusitano

 

Tivemos verão até há cerca de uma semana. Está crente num Verão de São Martinho sem muita chuva?

Bem, não sou adivinho, nem astrólogo, mas desde que sou Presidente da Feira, por inerência como Presidente da Câmara Municipal, desde 1998, parece ter tido sempre São Pedro como Vereador, já que apesar de Novembro ser sempre tempo de chuva, todos os eventos que se realizaram sob a minha égide não têm tido pluviosidades que os prejudiquem. Este ano, que é o ano da inauguração da Delegação do Ribatejo do Instituto Luso-Árabe para a Cooperação, no Palácio do Pelourinho, na Golegã (dia 12 de Novembro), poderá ser que o nosso Deus se junte a
Alá, para que o “tempo” não seja ingrato.

O ano passado, disse que esta feira também servia como anti depressivo contra a crise, acha que a deste ano será suficiente para descontrair os visitantes?

Se a época de São Martinho, na Golegã, foi sempre panaceia e retemperadora sazonal de muitas causas e motivos, este ano, mais do que nunca, cumprirá o papel de contrariar humores depressivos e estados de angústia, como que dando uma sensação de bonança, de esquecimento temporário da tempestade, que é a actual crise sócio-económica.

Em sua opinião, qual será o impacto da crise nesta edição da Feira, ao nível dos negócios e da adesão?

Da adesão, penso que em tempo de crise há maior turismo interno e como a Feira tem um público muito próprio e fixo, é natural que a ele se aditem outros que agora seguirão mais o célebre slogan “vá para fora, cá dentro”. Quanto aos visitantes estrangeiros, penso que o número será igual, ou maior. Logo, espero que de igual modo à edição 2010, a crise não tenha sucesso nesta vertente.

O negócio equestre tem sido muito afectado com a crise financeira?

Obviamente! Nestes tempos existem outras prioridades, como é natural, a não ser a aquisição por parte dos profissionais, agora quem investia no Cavalo só como “hobby” é normal que se retraia.

A noite da Feira é cada vez mais requisitada, até por pessoas que apenas a visitam nesse período. Qual é o impacto económico da noite na Feira?

Eu penso que é inegável esse impacto, estando à vista de todos. É de tal forma, que a Câmara Municipal deliberou que os bares e estabelecimentos afins, não tivessem hora de fecho, é claro respeitando sempre a licença de ruído. Esta medida deve-se à grande afluência, mas sobretudo para que os jovens possam ficar até de manhã, evitando consequências de possível alcoolemia na estrada, e também evitar conflitos e distúrbios nas ruas, nomeadamente
mobiliário urbano.

Algumas pessoas, mais jovens, queixam-se de bebidas muito caras, entradas exorbitantes e criticam o facto de muitos empresários da noite estarem a tomar de assalto a feira, sem se identificarem sequer com a tradição do cavalo. Como reage a isto?

Bem, estamos num país livre e só frequentam esses espaços quem pode e quem quer. Penso que não tomam de assalto, aproveitam sim, a noite da Golegã, que conquistou uma atracção e captação inigualável.

O fenómeno das casas arrendadas durante o período da festa, por amantes da tradição equestre, também se está a ressentir ou este ano ainda não haverá uma quebra acentuada?

Pelo que me vêm referindo, parece não haver quebra acentuada. Só no fim teremos a percepção se houve na realidade, grande diferença.

O Centro de Alto Rendimento está a evoluir positivamente?

A obra está adjudicada e terá, depois do seu início, um ano para estar concluída.

Há parcerias firmadas para dar dinamismo ao Centro de Alto Rendimento?

Existem, estando equacionadas, mas não firmadas, como deve pressupôr.

De que forma, (números e desinvestimentos, adiamento ou cancelamento de projectos) os cortes nas verbas atribuídas pela administração central estão a afectar a autarquia?

Se sempre fizemos uma racionalização correcta das verbas da Autarquia agora, mais do que nunca, devemos acentuar essa “política” de gestão. Por enquanto, não houve adiamentos, nem cancelamentos. É triste, que uma Câmara que cumpriu a Lei das Finanças Locais, que teve uma execução orçamental na ordem dos 90%, que tem uma passivo mais próprio de uma média empresa do que uma Câmara e ainda uma capacidade de endividamento cerca do dobro das existente, tenha tido os mesmos cortes que a maioria das Câmara incumpridoras.

Este será o seu último mandato, sente alguma angústia por os seus últimos anos ao comando da autarquia serem vividos numa crise de tão grande magnitude?

Na verdade, angústia não sinto, mas sim preocupação. Nestes cargos confrontamo-nos sempre com as circunstâncias e temos que ter a habilidade e o engenho de as saber enfrentar, confrontar e ultrapassar. Tudo isto não passa de mais um “teste” e não nos podemos esquecer que nestes lugares estamos sujeitos à avaliação permanente das nossas capacidades, sendo estes momentos como que um “exame” ainda mais exigente, enfrentando-os eu com serenidade e tranquilidade. Agora teremos de recriar, de “reinventar”, ainda mais, para continuarmos a inovar e a competir, como foi sempre o nosso percurso e objectivo.

A Vila Museu, o Centro de Alto Rendimento, o Equuspolis, todas as obras realizadas durante a sua presidência reforçaram a marca equestre como símbolo cada vez mais consolidado da Golegã. Ainda há muito por fazer?

Eu penso que não haverá muito mais do que a sedimentação e a consolidação do que foi granjeado e conquistado.

O concelho da Golegã perdeu população (Censos 2011, 5482 – 5710), muito por culpa do envelhecimento da população decerto, mas sente que a Golegã pode vir a crescer na próxima década, e não só ao nível de residentes?

Apesar dos cerca de 600 óbitos registados (entre 2001 e 2011), a sede do Concelho da Golegã, nos últimos
censos acusa somente uma perda de 34 habitantes! A Azinhaga, em relação ao ano 2001, terá menos 194 residentes. O Concelho da Golegã registou, sobretudo pelos números apurados na Azinhaga, menos 4%, valor muito inferior ao acusado pelos Concelhos de Abrantes, Alcanena e Santarém, entre outros. Em termos positivos, registou-se um aumento do número de famílias (0,7%), de alojamentos (7,3%) e de edifícios (2,6%). Dados importantes para o funcionamento da sociedade e da economia do nosso território.

A defesa da tradição, e tendo afirmado que é um dos aspectos que torna a Golegã especial, pode servir de montra para novos residentes?

Pode e tem servido! Na realidade, o presente vai se construindo sem ser refém do passado, mas respeitando a história, a cultura e a identidade, numa simbiose que parece conseguida, entre tradição e modernidade, que tem motivado a procura de novos residentes.

Que raça de cavalo invocaria para descrever as características necessárias aos portugueses para galopar para longe da crise?

Para galopar para longe da crise o Puro-Sangue Inglês, para enfrentar e confrontar a crise, o Puro-Sangue Lusitano, que tem como características temperamentais o ser nobre, generoso, ardente e sofredor. 

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