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01 DEZ 2017
Sol, Vénus, Saturno, Via Láctea e meteoros
Por Jornal Abarca

Apesar de muitos astrónomos, físicos, biólogos, médicos e psicólogos referirem incessantemente que a enorme quantidade de luz que, durante as noites, lançamos para o espaço, não tem o efeito de iluminar ruas e monumentos mas “apagar” as estrelas do céu e prejudicar a vida e a saúde de plantas, pessoas e outros animais, são cada vez menos os locais da Terra de onde a Via Láctea se avista como uma deslumbrante faixa esbranquiçada, quase ininterrupta, entre dois pontos do horizonte, diametralmente opostos. Foi essa visão que levou os nossos antepassados a imaginarem ali um rio de leite que corria no céu, e a associarem-lhe histórias mais ou menos ingénuas, como “um rio de leite onde os anjinhos lavavam as estrelas” ou “uma estrada que conduzia ao céu as almas dos humanos bem comportados”.

No princípio do século passado percebeu-se que existem milhões de galáxias e adquiriu-se a certeza de que todas as estrelas que vemos no céu pertencem a um desses aglomerados de mais de cem mil milhões de estrelas a que chamamos a “nossa galáxia” ou, dado o aspeto que apresenta, a “Via Láctea”.

A orientação da Via Láctea é, aproximadamente, de sul para norte e parece metade de um arco mais ou menos inclinado relativamente ao horizonte, segundo a hora da noite e a época do ano. Se repararmos no percurso que a Lua faz pelo céu, projectando-se em posições diferentes, de noite para noite, poderemos imaginar uma linha segundo a qual se dispõem (também) todos os planetas, linha essa que corresponde ao plano do nosso sistema solar e que não coincide com a Via Láctea. Dizemos que os dois planos – o da Via Láctea e o do sistema solar – se cruzam, fazendo entre si um ângulo próximo de 90 graus.

De forma algo divertida, poderemos dizer que a Terra “vê” a Lua, os planetas e até o Sol projectarem-se em posições do céu ao longo da tal linha (eclíptica), no decorrer do ano, e que alguma vez eles passarão sobre a Via Láctea. Em rigor, a Terra “vê” o Sol sobre a Via Láctea duas vezes por ano, em momentos separados por cerca de seis meses, uma vez em junho (sobre a constelação do Touro) e a outra em dezembro, na direção do Sagitário.

De tais “passagens” do Sol sobre a Via Láctea (a mancha esbranquiçada que se vê no céu em noites sem luar e em locais escuros) não nos apercebemos, não só porque a luz do Sol não permite ver o que está por detrás dele mas também porque disso não resulta qualquer efeito que se sinta. É verdade que, de vez em quando, ouvimos e lemos notícias sobre o assunto, que até podem parecer interessantes, mas que mais não têm do que uma pontinha de verdade que é explorada – e exagerada – para despertar a atenção de pessoas para revistas, livros ou até filmes. Recordamos, certamente, o espectacular filme 2012, que aproveitava o facto de, a 21.12.2012, o Sol passar na direção do centro da galáxia (constelação do Sagitáro) – como se isso não acontecesse todos os anos, há milhões de anos – associando-lhe uma suposta profecia, segundo a qual a Terra iria partir-se completamente, como resultado da interação gravitacional de tal alinhamento.

Este ano, a 21 de dezembro, teremos não só o Sol mas também Vénus (planeta de tamanho semelhante ao da Terra) e Saturno (o segundo maior planeta do nosso sistema solar) na direção do centro da Via Láctea (Sagitário), circunstância que continuará, como sempre, a não ser sentida nem observável.

A quem gostar de olhar o céu nocturno, sugere-se que aproveite para verificar, noite após noite, as posições da Lua e, assim, perceber o seu referido caminho aparente, bem como dos planetas e do Sol. Na data do Quarto Crescente deste mês de dezembro (dia 10) veremos a Lua surgir no horizonte, a Este, por volta da meia-noite, parecendo “metade de um queijo” e projectando-se sobre estrelas onde, antigamente, se imaginava o desenho de um Leão. À direita do Leão situam-se algumas estrelas de fraco brilho que constituem a constelação do Caranguejo e, à direita desta, são bem visíveis as duas estrelas mais notáveis (Castor e Pólux) dos Gémeos. É dessa região do céu que, quatro dias (quatro noites) depois (já praticamente sem luar), nos parecerão “sair” (ou cair) uns traços luminosos a que damos o nome de estrelas cadentes ou, mais rigorosamente, meteoros. Chamamos-lhesGéminidas (por parecerem “cair” dos Gémeos) e sabemos tratar-se de minúsculos pedaços de um pequeno asteróide (Faetonte) que se fragmentou e deixou os seus restos no espaço por onde a Terra passa todos os anos por volta de 14 de dezembro.  

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