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20 DEZ 2017
Natal e adoção
Por Jornal Abarca

Se aguardar, na gravidez, a chegada de um filho é um ato de amor – e relembremos que no amor por um filho não há divórcios, pois é imortal -, não o será também aquando da longa espera da resolução de uma panóplia de trâmites de um processo, de uma miríade de questões e de uma infinitude de exigências?

Se a maternidade ou a paternidade natural, quando bem desempenhada, é um ato altruísta e de extremo amor, a adoção não o será menos, pois parte não da espontaneidade da natureza, mas apenas da vontade dos afetos a ela agregados, o que, não raras vezes, não acontece nas primeiras. Mais, se em muitos casos ter um filho pode ser um ato de heroísmo, motivado, por exemplo, por condicionantes de saúde, ou outras, a adoção pode constituir um ato igualmente de coragem extrema.

Uma amiga, após perder dolorosamente a filha com quatro anos e verificar que a doença que a ceifou poderia reaparecer noutro filho, adotou, com o esposo, um menino e esse ato de coragem heroica devolveu-lhes a estabilidade, deu-lhes uma nova razão de vida e, enfim, a felicidade, aquela verdadeira e imutável, feita de pequenos atos do quotidiano aos quais não prestamos atenção nem importância alguma e só mais tarde a percebemos numa epifania, que não necessita de credenciais gnomónicas, e que só o tempo sabe proporcionar. À criança foi, de facto, o melhor que poderia ter acontecido, pois o amor que lhe dão nunca o poderia obter de outra forma. A adaptação nem sempre é fácil, dá trabalho, claro, mas cada agricultor sabe que antes de colher deve semear…

Eis um outro caso bem-sucedido e este, que saiba, nem sequer teve grandes obstáculos a superar. Um casal desejava ter um filho, contudo a natureza assim não o permitiu, ou Deus, mais uma vez, escreveu direito por linhas tortas e não o quis, pensou na adoção. Como habitual, os trâmites foram iniciados, a burocracia seguida. O desejo era ter uma menina e, suponho que como a maior parte das pessoas que adotam, com a menor idade possível – minimizam-se danos e ligações com os progenitores biológicos e dilata-se o tempo em que se desempenha o tão almejado papel de pais. O contacto foi estabelecido com uma amorosa pequenita, mas havia, se assim se pode dizer, um senão – a menina tinha um irmão mais pequeno. Este casal adotou ambos. A adoção é um ato de amor, carinho, altruísmo e coragem. Este foi um duplo ato. É bonito ver que também aqui, neste caso, os bons foram recompensados.

Felizmente, sou mãe e sei que um sorriso de um filho paga tudo. Um carinho eleva-nos à felicidade suprema. Quem os tem e os ama sabe que não exagero.

Estes pequenitos integraram-se de forma perfeita e cabal na família e carinhosamente chamam à mãe “mãezinha”. A menina, expansiva, lança os braços com frequência para enlaçar o pescoço da mãe num ato de entrega e meiguice comovedor. Esta família, na qual uma outra tia também não teve filhos, ficou mais rica e estas duas crianças tão desejadas seguramente mais felizes.

São apenas dois simples exemplos que instam a ser seguidos…

Também Jesus foi criado pela mãe e por José que, segundo as sagradas escrituras, não seria senão seu pai, podemos dizer, adotivo.

Assim, foi enternecedor ver estas duas crianças, que alguém com amor suficiente e uma atitude sardónica correspondente foi capaz de não separar, num domingo destes na missa. De repente, ali, naquele caso tão concreto e singelo, fez-se um vislumbre, e num halo de afetos foi a concretização do presépio de Natal.

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