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04 JUN 2018
Maria João Carvalho lançou "Champanhe"
Por Jornal Abarca
Um final de tarde harmonioso recebeu, a 19 de Maio, na Golegã, o lançamento da obra de poesia “Champanhe”, da autoria da médica e escritora Maria João Carvalho.
 
José Veiga Maltez destacou a “amizade intergeracional” que o une à poeta, que vem dos tempos dos pais de ambos, realçando o “prazer enorme em ter aqui a Dra. Maria João Carvalho a apresentar a sua quarta obra”.
 
O proprietário das Edições Castelão falou de seguida: “Abraçámos com muito gosto este desafio porque a poesia tem sido mal tratada”, alertou Nuno Castelão, sublinhando que a poesia ligeira deve ser apresentado nas escolas de forma a estimular o gosto dos mais novos pela poesia.
 
Encarregue de fazer a apresentação do livro, Manuel Fernandes Vicente falou de uma obra que “se bebe de breves reflexões de duas vidas a deslizar” realçando a essência dos poemas “só ao alcance de quem viveu uma grande paixão aos 23 anos”. Revelando que a autora lhe apresentou a obra como um conjunto de “poemas que cinco décadas depois já não teriam frescura” e que estariam “muito datados”, Manuel Vicente acredita que “a obra tem tudo para contrariar a sua autora”. Na sua reflexão, conclui que “apenas boas memórias permitiram guardar poemas durante quase cinco décadas”, sublinhado a qualidade dos mesmos: “são poemas magníficos, já não se fazem poemas assim”.
 
Maria José Ventura declamou alguns poemas de “Champanhe”, frisando a dificuldade em escolher os melhores: “Não partas nunca”, “Naufrágio”, “Memória” e “Afinal” foram os escolhidos.
 
Por último, Maria João Carvalho falou de “Champanhe”, um livro “escrito em tempo de guerra, entre 1969 e 1972 que foi dado e dedicado a Mário Vieira da Silva que os guardou até hoje”. A escritora admitiu que esta obra “é sempre o meu refúgio quando escrevo poesia”, dando visível importância aos poemas escritos numa fase tão distante da sua vida. Por último agradeceu “ao Dr. Veiga Maltez que mais uma vez foi o anfitrião de um livro meu”, “ao Dr. Nuno Castelão porque hoje já ninguém publica poemas”, “ao Manuel Vicente pelas coisas bonitas que disse e eu não mereço”, “à Maria José Ventura pela forma como me emocionou, eu nunca tinha ouvido um poema meu”, “à Margarida Trincão pelo entusiasmo” e “ao Roberto Chichorro pela capa que sonhou”.
 
Uma história de amor da Guerra Colonial ao Facebook
A história por trás da obra parece retirada de um filme de amor em tempo de guerra. Maria João Carvalho escreveu e ofereceu a Mário Vieira da Silva os poemas que compõem “Champanhe” em 1972. Perderam-se, nas voltas da vida, mas o sentimento perdurou. Reencontraram-se, através do facebook e o que nunca se tinha apagado tinha ainda uma forma viva: Mário Vieira da Silva guardou religiosamente durante quase cinquenta anos os poemas que Maria João Carvalho lhe tinha oferecido.
 
O cariz político-social da época está umbicalmente ligado à estrutura da obra de acordo com a autora: “os poemas que compõem “Champanhe” foram escritos entre 1969 e 1972, quando a guerra colonial estava no auge e as relações entre as pessoas obedeciam a rituais complicados”.
 
De uma história de amor em tempo de guerra nasceu uma obra que agora vê a luz do dia: “Os caminhos da guerra juntaram no mesmo local dois jovens e dos olhares de ambos nasceu um conjunto de poemas” que Mário Viera da Silva guardou “entre as recordações da guerra e a realidade”. De facto, o título do livro induz à celebração e a autora justifica a escolha: “Champanhe porque se deve brindar à vida e às reviravoltas que a vida inventa”, escreve. A capa do livro é uma obra de Roberto Chichorro produzida em aguarela sobre cartão.
 
Embora “Champanhe” seja a sua primeira obra de poesia, a escritora editou outros livros: “Nero, o cão”, “Edgar e o canário”, “Uma borboleta quase branca” e “Jantei ontem em Seattle”, recebendo várias premiações.
 
Maria João Carvalho nasceu em Alcobaça a 28 de Maio de 1946. Licenciou-se em medicina em 1976, foi assistente de bioquímica na Faculdade de Ciências Médicas até 1990 e mais tarde fez a especialidade em cardiologia. Actualmente vive em Parceiros de São João, concelho de Torres Novas.
 
NOTA: O livro "Champanhe" está à venda juntamente com o Jornal Abarca, nos habituais postos de venda.
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