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04 MAR 2019
Recantos de Lazer - Torres de história com Novas atracções
Por Jornal Abarca
Descansa à sombra do seu majestoso castelo uma das mais bonitas cidades da região. Torres Novas exibe uma formosura que brilha com as águas do Almonda e se estende um pouco por todas as freguesias. Apresenta paisagens naturais fascinantes e uma beleza arquitectónica deslumbrante.
 
Inicio esta visita guiada a Torres Novas fazendo uma espécie de declaração de interesses: esta é “a minha cidade”. Não é, propriamente, a cidade que me viu crescer, mas é em Torres Novas que me sinto em casa. Contudo, verificará o leitor ao visitar a cidade, que as linhas que se seguem não são exacerbadas por qualquer sentimento ou emoção. Torres Novas é, sem dúvida, das mais belas cidades da nossa região.
 
Quem visita Torres Novas, ao percorrer as suas ruas, avenidas e praças sente o peso da história. Sobretudo a história recente, marcadamente agrícola – ligada aos frutos secos – e industrial. O encerramento de espaços como a Casa Nery, os Claras ou, recentemente, a Companhia Nacional de Fiação e Tecidos (criada em 1845, que fechou portas em 2011), ainda marcam profundamente as conversas entre torrejanos. Essa memória deve ser tida em conta quando se visita a cidade e se observa inúmeras estátuas e monumentos que honram as tradições.
 
Concentre a sua viagem pelo centro histórico da cidade. Comece pela zona da antiga Casa Nery, junto à ponte do Raro e conheça o encantador Jardim das Rosas. Remodelado em 2003 é um dos lugares mais procurados para passeios em famílias e casais em Torres Novas, para relaxar ou levar as crianças a brincar. Na outra margem está o Jardim da Avenida, uma espécie de continuação do espaço anterior, que “com as suas árvores frondosas, plantas trepadeiras, esplanadas e baloiços à beira-rio, é um autêntico recanto romântico”, informa a página da autarquia. Estes dois jardins são apenas separados pelo rio Almonda, que é a cereja no topo do bolo da beleza daquele local. Lá no alto, a guardar toda a cidade, reluz o castelo.
 
Percorra todo este espaço onde se englobam os dois jardins e a passagem do rio Almonda, com os seus característicos patos a chamar por nós, até chegar à outra ponta da avenida onde irá encontrar o esplendoroso Convento do Carmo, edifício onde até ao início do século funcionou o hospital da cidade. e que mora em frente à Escola Prática de Polícia, a única do país. Siga até entrar na rua Alexandre Herculano ou, como é conhecida popularmente, a “rua calcetada”. No início desta rua irá encontrar a bonita tarambola que movimenta as águas do Almonda. É frequente encontrarmos pedestres que param a apreciar a beleza daquele movimento, encantados com a simplicidade das coisas bonitas.
 
A “rua calcetada” é uma zona conhecida sobretudo pela força do comércio local, que tem sofrido bastante com a invasão dos modernos espaços comerciais e abandono, até à ruína, de antigas lojas históricas. A rua calcetada termina no também “histórico” Largo da Botica, muito perto da Praça 5 de Outubro, um dos lugares mais emblemáticos da cidade. Sobretudo por ser, actualmente, o espaço nocturno mais movimentado da cidade, onde os jovens se aglomeram à noite para socializar. Mas este é um espaço cheio de história. Era ali, que há poucas décadas, se realizava parte do mercado de Torres Novas, então à segunda-feira. Igualmente renovada, esta praça é um lugar agradável para passear, também pela beleza arquitectónica dos edifícios que a rodeiam.
 
Por exemplo, é aqui que poderá visitar a Igreja da Misericórdia (um dos muitos locais de culto da cidade). Esta igreja é um dos monumentos mais emblemáticos de Torres Novas, cuja construção teve origem em meados do século XVI. Destaca-se “o pórtico renascentista, o tecto seiscentista, a tribuna dos mesários e os três retábulos de talha dourada” assim como “a porta com elementos manuelinos, situada fora do edifício, que caracteriza a envolvência do espaço”. Um lugar de visita obrigatória mesmo para quem não é católico. A Igreja da Misericórdia é considerada como Imóvel de Interesse Público desde 1986.
 
Ao subir em direcção ao castelo verá os deslumbrantes painéis de Gil Pais, um conjunto de azulejos que retratam o cerco ao castelo de Torres Novas, em 1372. Reza a lenda que Gil Pais, alcaide-mor da cidade, recusou a rendição do castelo perante a invasão castelhana mesmo que para isso sacrificasse um filho, morto às portas do castelo.
 
Ao chegar ao topo da rua, antes de subir até ao castelo, olhe para trás e aprecie a beleza da Praça 5 de Outubro vista de uma dimensão superior. Às portas do castelo verá erigida um busto de D. Sancho I (rei que deu o Foral a Torres Novas em 1190), do artista João Cutileiro.
 
O castelo de Torres Novas é o monumento mais belo da cidade. Construído pelos árabes no século XII, foi reconquistado por D. Sancho I tornando-se um importante elemento estratégico na época medieval. A fortaleza é constituída por uma muralha de 11 torres e pela casa do alcaide (outrora cadeia), possuindo no seu interior um bonito jardim. Está classificado como Monumento Nacional desde 16 de Junho de 1910, ainda em período monárquico. O castelo de Torres Novas é, por si só, um dos lugares mais aprazíveis da cidade, bem como lhe permite desfrutar de vistas incríveis sobre a cidade, nomeadamente dos jardins por onde começámos esta visita guiada, onde brilha formoso o rio Almonda.
 
Ao sair do castelo, descendo pela rua do Salvador, aproveite para descobrir o Museu Municipal Carlos Reis que apresenta exposições de história local, arqueologia, arte sacra e pintura do autor. As obras de Carlos Reis (Torres Novas, 21.02.1863 — Coimbra, 21.08.1940) constituem uma colecção com cerca de trinta quadros, que realçam aspectos e paisagens do dia a dia e da vida do campo. Há, também, espaços que concentram peças de outros autores, doadas pelos próprios, por beneméritos ou por instituições. O Museu Municipal Carlos Reis é, em termos artísticos, o espaço de maior riqueza da cidade.
 
Apesar de todo o património histórico que enriquece a cidade, Torres Novas tem procurado virar-se para a inovação. São exemplos disso os dois espaços comerciais de média e grande dimensão sem paralelo na região ou a instalação da start-up, que tem trazido até Torres Novas empresas e investidores de todo o país.
 
Vá para fora, cá dentro
O título desta edição dos Recantos de Lazer denuncia uma cidade com muitos encantos mas, sendo justo, há tanto para ver fora da cidade como dentro. O concelho apresenta ofertas variadas para quem o visita.
 
A dois passos poderá visitar as grutas de Lapas, renovadas em 2018, que formam um conjunto de túneis subterrâneos. O espaço foi rasgado à mão pelo homem criando assim um lugar encantador que sobrevive preservado até aos dias de hoje, sendo desde 1943 considerado Imóvel de Interesse Público.
 
Também a uma curta distância da cidade poderá visitar as ruínas de Vila Cardílio. vestígios da presença romana em Torres Novas. Estas ruínas foram descobertas em 1962, através das escavações a cargo do Coronel Afonso do Paço, e permitiram descobrir uma herança rica deixada pela presença romana na região como alicerces, bases de colinas e pavimentos com padrões de “tesselas”.
 
O Paúl do Boquilobo pertence, em parte, ao município de Torres Novas. Este é um espaço único rico na variedade das suas aves e na beleza da sua flora. Está classificado como Reserva Natural desde 1980 além de estar integrado na Rede de Reservas da Biosfera da UNESCO.
 
Na aldeia de Boquilobo, bastante perto da zona do paúl, poderá visitar a Casa-Memorial Humberto Delgado, local de nascimento do “General Sem Medo”, e que expõe o seu trajecto na luta pela liberdade em Portugal.
 
Para quem ama a natureza, a oferta não se esgota na beleza do Paúl do Boquilobo. Entre as aldeias de Fungalvaz e Beselga de Cima, nos arredores da cidade, existe uma queda de água que merece a sua atenção. Conhecida como Ribeira da Beselga, este conjunto de cascatas forma uma paisagens incrível, criando um efeito visual de beleza inegável.
 
Afastando-se para os limites do concelho, neste caso para a fronteira com o município de Ourém, irá encontrar o espaço conhecido por “pegadas de dinossáurios”. É aqui, em plena Serra de Aire, que se encontra a maior extensão de trilhos de pegadas de dinossáurios, que nos remete até 170 milhões de anos. A descoberta destas pegadas, marcadas no local de uma antiga pedreira, foram feitas em 1994 e estão actualmente classificadas como Monumento Natural.
 
Muito perto deste local pode visitar os Moinhos da Pena, um conjunto de doze moinhos de vento que possuem um excelento enquadramento paisagístico com vista para a serra. Tendo sido encerrados em 1965, foram recuperados sete moinhos em 1992 que hoje servem para fins de alojamento turístico. Se procura uma experiência diferente, dormir num antigo moinho de vento é certamente uma proposta a considerar.
 
Uma terra de feiras
Ao longo do ano Torres Novas apresenta várias feiras e festas para a população local mas cada vez mais atraentes para quem é de fora.
 
O primeiro evento deste género decorre precisamente este mês. A Feira de São Gregório, conhecida como “Feira de Março” era inicialmente, no século XVI, uma feira franca tendo-se tornado com o passar dos tempos numa feira popular. Foi bastante concorrida até meados da década de 90 e, embora as suas atracções sejam menos procuradas nos dias que correm, a feira continua a manter os seus traços populares com propostas dedicadas às diversões, ao artesanato e onde não faltam as famosas farturas, pipocas ou algodão doce.
 
No entanto, a Feira Nacional dos Frutos Secos é a mais emblemática de Torres Novas. Realizando-se desde 1985, este evento assumiu já uma dimensão nacional recebendo milhares de visitantes todos os anos. A cidade, que se auto-proclama “Capital dos Frutos Secos”, espelha aqui as suas raízes, procurando conjugar energias entre a tradição e as potencialidades dos frutos secos nos dias que correm. De entre todos os frutos, o mais carismático para os torrejanos é o figo, resultado dos imensos figueirais espalhados pelo concelho. A aguardente de figo seco é, também, muito procurada pela qualidade do fruto torrejano.
 
Contudo, a feira de maior dimensão na cidade intitula-se Memórias da História. Vulgarmente conhecida por Feira Medieval, realiza-se desde 2010 e tem crescido de tal forma que é considerada uma das melhores feiras deste género em toda a península ibérica. Todos os anos, no início do verão, Torres Novas viaja alguns séculos no tempo e retrata-se um período específico da história da cidade. Milhares de pessoas visitam a cidade nesta altura que se enche de animação, trajes históricos, cor e muita alegria. Não faltam nestes dias espectáculos musicais e teatrais com conteúdo histórico, cortejos e danças, a assim como um programa de actividades lúdicas e de interpretação histórica direccionado a todo o tipo de públicos.
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