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01 OCT 2019
A Serra da Estrela que sobra depois dos nevões
Por Jornal Abarca
A Serra da Estrela e os seus extraordinários sítios naturais de grande beleza morfológica e cénica deverão ser reconhecidos na primavera do próximo ano como um geoparque mundial com o selo da Organização das Nações Unidas para a Educação Ciência e Cultura (UNESCO). Esta convicção ganhou mais crédito depois de em setembro a sua candidatura ter sido aprovada na quarta sessão do Conselho de Geoparks Mundiais da UNESCO que decorreu na Indonésia. Este era um passo determinante para o reconhecimento das invulgares manifestações geológicas e naturais da Estrela como geoparque mundial, o quinto situado no nosso país a ser aprovado pelos conselheiros da organização internacional.

A candidatura agora aprovada, que foi sustentada desde 2014 pela Associação Geopark Estrela e integra os nove municípios com territórios integrados na serra beirã, a Universidade da Beira Interior e o Instituto Politécnico da Guarda, procurará no futuro a divulgação, promoção e valorização do vasto património natural e cultural serrano, a par da investigação científica, do desenvolvimento das atividades económicas e da criação de emprego na região, afetada por uma intensa desertificação populacional. A criação próxima do Geopark Estrela, com 124 geossítios de interesse geológico relevante, como as colunas graníticas do Covão do Boi (com a Senhora da Boa Estrela esculpida no granito, uma homenagem à proteção divina aos pastores e rebanhos da serra) ou a Lagoa Seca, será também um fator importante na estratégia do turismo que tem a Serra da Estrela como destino.

Atualmente toda a montanha vive o paradigma do desaparecimento da neve. Se cair neve e o maciço se cobrir de um manto branco há um efeito dominó que proporciona um vasto conjunto de atividades e, entre dezembro e março, é um íman turístico excecional. Mas, no início de cada primavera, quando a neve funde, o turista evapora-se. E condenase injustamente a Estrela ao abandono. Deixa de haver o turismo de massas e os autocarros das excursões, que não são particularmente apreciados, mas são o que existe e predomina, deixam de subir a serra. Mas há vida depois da neve. E com a criação de um geoparque prestigiado pelo upgrade da UNESCO, a divulgação privilegiada dos vários geossítios estrelianos inventariados e a criação de acessos para alguns deles, haverá decerto um incremento de alternativas válidas e uma interessante proposta para nichos turísticos atraídos pelo élan de monumentos naturais, atividades culturais e paisagens capazes de ir ao encontro de interesses e preocupações mais específicos, como a biodiversidade, a fotografia ou estimulantes caminhadas. Desta forma poderia diluir-se o paradigma da Estrela, que está exposta em demasia à sazonalidade dos nevões, ficando abandonada pelos turistas no resto do ano, num incompreensível desprezo por todo o seu grandíssimo potencial geológico.

Para além do já anunciado Geopark Estrela, Portugal tem ainda mais quatro geoparque mundiais: os de Arouca (com geossítios dispersos pela Serra da Freita), Naturtejo da Meseta Meridional (na bacia do Alto Tejo), Terras de Cavaleiros (em Trás-os-Montes) e Açores.
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