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01 OCT 2019
Alcanena - Ana Cláudia Cohen: "O nosso objectivo é chegarmos ao nível Expert"
Por Jornal Abarca

O Agrupamento de Escolas (AE) de Alcanena foi distinguido pelo STEM School Label, um projecto financiado pela União Europeia, como a melhor escola da Europa no ensino de ciências e tecnologias. Ana Cláudia Cohen quer ainda mais para o futuro.

Ana Cláudia Cohen, directora do AE, revela em declarações ao abarca “um orgulho imenso” pela distinção, “mas sobretudo é muito bom vermos as nossas práticas serem reconhecidas a este nível”. A professora não tem dúvidas do rumo traçado: “Independentemente do reconhecimento íamos seguir este caminho”, garante.

O programa do STEM School Label pretende motivar os alunos para as áreas de ensino de ciências, tecnologia, engenharia e matemática, oferencendo às escolas ferramentas que permitam envolver a comunidade educativa.

No programa estavam inscritas 1100 escolas que procuram alcançar o nível Expert, a distinção mais alta. Nenhuma conseguiu e apenas o AE de Alcanena alcançou o segundo grau de distinção, o nível Proeficiente. Outras cinco escolas nacionais receberam a distinção de Competentes, o terceiro nível de distinção.

A directora do AE assume sem receio que “o nosso objectivo é chegarmos ao nível Expert” e os responsáveis escolares já estão a trabalhar nesse sentido: “Estivemos a olhar para os 21 indicadores, vamos definir quais os projectos e acredito que daqui a um ano podemos estar no nível Expert”. Ana Cláudia Cohen reconhece que a exigência aumenta porque “cada vez são mais escolas”, mas não vê isso como um entrave: “é bom que seja assim”, arroga.

Um plano vertical desde o pré-escolar
Importa esclarecer o leitor sobre o modo como a avaliação é feita, sob o risco de a importância desta distinção soar a algo aleatório. Para decidir qual o selo a atribuir, o programa avalia a estratégia STEM executada na escola. Ou seja, uma escola Competente corresponde à que tem uma prática mínima de estratégia STEM, enquanto uma Expert cumpre de forma excepcional os requisitos. No meio está a escola Proficiente que apresenta uma abordagem avançada.

Fazem parte dos critérios avaliados a personalização do ensino, a aprendizagem baseada em problemas e em projectos, o ensino inter-disciplinar, a avaliação contínua e personalizada, a qualidade da equipa, a liderança e a cultura escolar.

Ana Cláudia Cohen fala de “um plano vertical das ciências experimentais desde o pré-escolar” no AE. “Começámos há 5 anos, fizemos um plano vertical em conjunto, com formação dos professores ao longo dos anos, e fomos aperfeiçoando”, explica.

Integrada nessa visão, o AE de Alcanena tem várias parcerias importantes para a consolidação de conhecimentos e práticas dos seus alunos. Desde logo com o Centro Ciência Viva de Alviela (CCV), com o programas XXS, destinado às crianças do pré-escolar. “Ensinam coisas muito complexas de forma simples” e “vemos crianças de quatro ou cinco anos a falar sobre a luz, os objectos que flutuam, é uma delícia”, explica incapaz de esconder a felicidade que sente.

Para os alunos mais velhos há parcerias com o CCV, mas também com universidades e politécnicos. “Os alunos trabalham directamente com as universidades, apresentam o problema, hipóteses, as variáveis, e os professores encaminham-nos” para outra universidade se for mais adequado. Em Alcanena os alunos também utilizam as instalações do Centro Tecnologico Das Industrias Do Couro para fazerem experiências no laboratório. “Os alunos é que fazem os relatórios e apresentam na escola, nas universidades e à comunidade”, explica Cohen, que retira uma conclusão importante destas vivências: “Crescem imenso”.

O AE dá flexibilidade curricular aos alunos para escolherem os temas que querem desenvolver, mas a ideia principal passa por “identificar problema da comunidade e a partir daí encontrar soluções através de vias investigativas onde alinham as ciências com outras linhas de saber”, explica. Surge, naturalmente, como exemplo a reportagem do abarca da edição de Junho de 2018 intitulada “Os Quatro Inventores da Escola de Alcanena” em que Inês Gomes, Maria Santos, Rodrigo Vasconcelos e Rui Ferreira identificaram um problema local, o excesso de resíduos na indústria de curtumes, e criaram pellets, um combustível para caldeiras industriais, menos poluente e mais económico. Tornaram um projecto de escola num caso de estudo para as empresas e receberam uma bolsa para investigação.

A ideia deste modelo passa por “aplicar conteúdos programáticos” e construir “aprendizagens que não se esquecem” porque os alunos se tornam “produtores de conhecimento”. Ana Cláudia Cohen conta que quando recebe novos alunos tenta despertar neles uma filosofia em que “podem ser transformadores na escola, na comunidade, na região, no país, no mundo!”, evoca.

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