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16 MAI 2021
EDITORIAL | "DDT", por Margarida Trincão
Por Jornal Abarca

A sigla ddt tem sido amplamente utilizada nos últimos anos. Significa ela, como é por de mais sabido, donos disto tudo. E como uma praga os ddt espalham-se por todas, ou quase todas, as áreas.

Ironias.

O DDT (sigla de diclorodifeniltricloroetano) foi o primeiro pesticida moderno, tendo sido largamente usado durante e após a Segunda Guerra Mundial para combater os mosquitos transmissores da malária e do dengue, principalmente na Birmânia, em 1941. Em 1939, o suíço Paul Hermann Müller descobriu as propriedades deste químico contra vários tipos de artrópodes. O feito valeu-lhe o Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1948.

Anos mais tarde, a bióloga norte-americana Rachel Carson conclui que o produto era cancerígeno e aumentava a mortalidade entre os pássaros, entre muitos outros malefícios. Actualmente é considerado uma das substâncias mais perigosas não somente pelo que causa, mas também pela sua extrema longevidade química. As populações sujeitas a este pesticida possuem “concentrações da mesma em seus corpos por mais de 50 anos, e é passado de mãe para filhos durante a gestação e amamentação” (Wikipédia).

Os ddt da actualidade não foram sintetizados em laboratório, mas a sua actividade é fruto de investigação demorada e detalhada. Descobrem mecanismos intrincados, resultantes de reagentes que os próprios criam. Para eles a demonstração de que a sua acção tem inquestionável importância para o bem da humanidade e que agiram sem qualquer mácula é tão óbvia que se torna confrangedor.

Enquanto isso, as populações pagam e voltam a pagar por processos intermináveis… Não perdi a esperança que uma qualquer Rachel consiga demonstrar os malefícios de tais acções e mais que tal como o DDT, os novos ddt sejam controlados por uma qualquer convenção. Apesar da velha a história “de que quem rouba um milhão é barão, quem rouba um tostão é ladrão” ou, por outro lado, que “uma mentira tantas vezes repetida se torna verdade”.

Se quanto à primeira o “estado a que isto chegou” a tornou real, a segunda, espero eu, que seja mais difícil de provar.

No fim de contas:
“Vós que dos altos impérios
Prometeis um mundo novo
Calai-vos que pode o povo
Querer um mundo novo a sério”
(António Aleixo, Vila Real de Santo António, 18 de fevereiro de 1899 – Loulé, 16 de novembro de 1949)

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