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13 JUN 2021
OPINIÃO | "Contente Mas Não Feliz", por António Carvalho
Por Jornal Abarca

Como Sportinguista, estou contente com o milagre da conquista do Campeonato. Contente, mas não feliz. Contente pela alegria dos meus filhos e netos; não feliz porque temo que a alegria que os adeptos leoninos tiveram, venha esconder os graves problemas que ameaçam o Sporting e aumentar a sua futebolização.

O Sporting que eu admiro não é o Sporting Futebol Clube e sinto, com tristeza, que já poucos sportinguistas pensam e sentem como eu.

Os “fins” do Clube eram, em 1964, “... o revigoramento da Raça e, com ele, o engrandecimemento do desporto nacional, promovendo a prática das diversas modalidades de educação física e de todos os jogos desportivos. Pode também promover sessões culturais e criar escolas de finalidade social e cívica conducentes a uma melhor preparação intelectual e moral dos seus associados”.

Não se pensava ainda em transformar o Sporting numa empresa geradora de rendimentos para os seus dirigentes, sem a preocupação de pagar dívidas contraídas.

Já dentro da nova filosofia mercantilista,foram cometidos dois crimes que eu não testemunhei por estar afastado do Clube:
1 - A construção do novo Campo de futebol, com a destruição do Estádio de Alvalade e sua pista.
 2 - A constituição da Sporting SAD.  

Considero o primeiro crime uma ofensa ignóbil aos atletas do Sporting e ao Prof. Moniz Pereira, que me confessou, amargurado, só ter tido conhecimento do projecto já como facto consumado. Este crime foi, em parte, compensado com a construção do Pavilhão João Rocha, nos tempos de Bruno de Carvalho, o que torna a criação da SAD o crime mais gravoso para a sobrevivência do “meu” Sporting. Não sei quando e como a criação da SAD foi aprovada, mas suspeito que o tenha sido por um número diminuto de sócios, mal informados.

A criação das SAD’s foi decretada em 1993, pelo Dec-Lei 144 e, na altura, não me lembro de ter levantado grandes celeumas nos jormais e televisões. No entanto, em 97, por causa do “Totonegócio” Alfredo Farinha, jornalista do A Bola, já falecido, escreveu o livro FUTEBOL TRAÍDO E HUMILHADO, em que apaixonada e causticamente acusavao Presidente da República, a Assembleia da República, Câmaras Muncipais, Federação, Liga de Clubes Profissionais, “Lobby” dos Presidentes, Cambões políticos, Comunicação Social e Infiltrados da Máfia... de ignorarem o Art.º 46 da Constituição e beneficiarem os grandes clubes, permitindo-lhes despesas com o futebol, incompativeis com as receitas previstas e sem atenderem à realidade do País.

Foi por recordar Alfredo Farinha que resolvi escrever estas linhas. Ao contrário do que a comunicação social, dirigentes e ex-dirigentes tentam transmitir não pode haver paz no Sporting enquanto se mantiver a gestão danosa no futebol profissional. Quando muito o Sporting Futebol Clube estará mais calmo, anestesiado pela conquista do campeonato.

Quando Bruno de Carvalho contratou Jorge de Jesus pelos 7 ou 8 milhões de euros, eu avisei-o de que não havia treinador nenhum, que merecesse tanto dinheiro, nem a conquista de qualquer campeonato de futebol justificava tal aposta.

Não é o milagre da conquista do campeonato que me pode fazer mudar de opinião, ainda por cima na ressaca da pandemia.  

O futebol é um jogo e como jogo é de resultados incertos. Rúben Amorim não tem culpa nenhuma de lhe terem oferecido uma fortuna sem o poderem comprometer com o resultado do seu trabalho, mas.
 € 10 000 000 <> 1 074 anos de trabalho a € 665.00

O Sporting beneficiou de inegável sorte em alguns jogos e da má época dos seus directos adversários, mas fiquei bem impressionado com RA. Pelo menos teve uma virtude, acarinhou os jogadores e não descarregou sobre eles culpas por exibições menos conseguidas. Nisso parece muito melhor do que outros treinadores especiais, de Mourinho a Jorge de Jesus, e demonstrou que o Curso de Treinador não é preciso para ganhar o Campeonato.

Que tenha para o ano a mesma sorte que teve este ano e ponha a equipa a jogar futebol como os 5 violinos jogavam e não nestes 442 ou 433 ou noutro tiki-kaka qualquer.

Sobre o “escândalo” das manifestações. Sem ignorar o comportamento pouco civilizado de alguns adeptos, foi mais uma demonstração da incompetência de quem nos governa, ou talvez não..

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