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19 OCT 2021
CRÓNICA | "A bazuca", por Humberto Lopes
Por Jornal Abarca

Arma de guerra construída durante a II Guerra Mundial para inutilizar carros blindados, vulgo tanques ou carros de combate.

Estas viaturas têm uma estrutura exterior feita da chapa com grande espessura de modo que os vulgares projécteis de espingarda, metralhadora, ou mesmo granadas de mão não os afectam, pois a blindagem não é penetrável por esses objectos balísticos.

A bazuca é um tubo, 1,5 a 2 metros, com um aparelho de pontaria e com ignição eléctrica do projéctil. Este tem propulsão por reacção, como o foguete das festas, e tem na frente um cone que, ao embater na blindagem do veículo, explode provocando uma temperatura altíssima que vai fundir o metal e penetrar no interior do veículo causando a explosão deste com as consequências previsíveis.

Como sou ex-combatente, fiz serviço militar obrigatório durante 4 anos, dos quais 27 meses na Guiné, presenciei muitas vezes a utilização desta arma. Mesmo sem o inimigo ter veículos blindados, era utilizada contra grupos do inimigo em casos de ataques ou emboscadas. É uma arma perigosa para quem esteja próximo, pois o jacto de “fogo” que lança para a traseira pode provocar ferimentos graves a quem esteja perto e nessa direcção.

Mas por que razão vem agora este nome à liça?

De há uns tempos para cá só se houve falar da bazuca e mais bazuca!

O padrinho ou a madrinha nunca devem ter presenciado a utilização desta arma, ou nunca estiveram debaixo dos seus efeitos. Se tivessem essas experiências escolheriam outro nome, atendendo até ao facto (que importa isso!) de ainda haver milhares de ex-combatentes com traumas causados pela guerra de 1961 a 1974 e aos quais só o nome da arma aviva a memória do muito que se quer esquecer.

Mas poderá haver outras razões para tal escolha.

A sociedade portuguesa vive momentos conflituosos em todas as situações da vida do dia a dia. Falamos de paz, mas fazemos a guerra. Fazemos da vida uma competição onde uns ganham e os outros perdem!

E não é só na política, onde a “guerra” é mais acesa. Também na “vida civil” a “guerra” é diária, é de todos os momentos. Na política basta ouvirmos os políticos de serviço, onde do combate de ideias se passa ao insulto, onde tudo vale, só não chegando a vias de facto por “uma unha negra”! Que exemplos são estes para a sociedade que dizem representar? E querem que esta sociedade que desprezam e da qual só se lembram quando precisam do seu voto, vos ouça e siga os vossos exemplos de “meninos bem-comportados”?

A sociedade civil segue os vossos exemplos de “guerra aberta”, onde a violência do dia a dia vai fazendo as suas vítimas. Vejam-se os conflitos no trabalho, na família (quando esta existe), na juventude, nos desportos (futebol, maior deseducador da população), nas escolas (bulling), na estrada (cada um no seu veículo procura, sem noção do risco, ultrapassar o outro para manter o seu ego e a sua autoestima), enfim, em toda a vida social apenas por não termos qualquer noção de valores, de respeito, de tolerância, de solidariedade.

Cada um por si e os outros que se “amanhem”!

Quanto à bazuca é melhor rebaptizá-la ou estar muito atento aos seus disparos que, segundo consta, já estão a errar o alvo e a maioria das “granadas” são de pólvora seca!

Só há uma vida que é esta que temos, depois retornaremos ao pó de onde viemos!

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