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19 OCT 2021
CRÓNICA | "Mais um grande planeta no nosso Sistema Solar?", por Máximo Ferreira
Por Jornal Abarca

Durante todos os milhares de anos em que habitantes da Terra olharam o céu com os seus próprios olhos, não viram mais do que sete “astros errantes”, termo de que resultaria o nome de planetas, astros que alteram as suas posições relativamente às estrelas. Eram eles – por ordem crescente da distância a que se supunha estarem da Terra – a Lua, Mercúrio, Vénus, o Sol, Marte, Júpiter e Saturno.

No século XVI, a afirmação da teoria heliocêntrica (mostrando que todos os planetas giram em volta do Sol e não da Terra, como até então se pensava) e a invenção do telescópio, deram origem a um grande desenvolvimento das ciências e, em particular, da astronomia, graças ao número crescente de homens e mulheres que se lhe dedicaram, bem como ao aperfeiçoamento progressivo dos telescópios. Em março de 1781, William Herschel anunciou a descoberta de Úrano, planeta que já teria sido visto anteriormente por astrónomos (como Galileu), que não deram pelo seu deslocamento em relação às estrelas e, por isso, o consideraram como uma delas. Seguiu-se um longo período em que o planeta foi “acompanhado” em observações sucessivas e a sua trajetória determinada, o que levou ao cálculo da distância a que orbita o Sol e, consequentemente, ao tempo (84 anos terrestres) que demora para completar uma volta. Só que … o desenho da sua órbita resultava numa linha irregular, cujas “ondulações” poderiam ser explicadas matematicamente como resultado de perturbações causadas por um hipotético planeta, orbitando o Sol para lá de Úrano. De novo a azáfama de astrónomos e matemáticos, em busca do “planeta misterioso”, acabando-se por determinar em que região do céu ele se encontraria. Na noite de 23 para 24 de setembro de 1846 – mercê de observações criteriosas e pacientes - o astrónomo alemão Galle anunciava a descoberta do planeta a que viria a ser dado o nome de Neptuno, deus romano dos mares.

Posteriormente, foram as perturbações na órbita de Neptuno que levaram à descoberta de Plutão (considerado “planeta anão” a partir de 2006), embora se tenha concluído que a sua pequena massa não poderia provocar efeito tão relevante. Uma vez mais, a análise rigorosa (que os recursos atuais permitem) das irregularidades orbitais de Neptuno bem como de “oscilações” nos movimentos de vários “planetas anões”, voltam a despertar curiosidades e a sustentar a hipótese de que poderá existir um outro planeta – muito para além da Cintura de Kuiper, região onde circula Plutão e milhares de outros “anões gelados”, seus companheiros – e que, se for assim, o seu deslocamento será muito mais lento do que o de qualquer outro planeta e, em consequência disso, extraordinariamente longo o seu período de translação. Esta hipótese, a verificar-se, para além de eliminar uma outra (mais exótica) segundo a qual poderia ser um micro buraco negro “próximo” a provocar as irregularidades em estudo, levará a ajustes na teoria pela qual explicamos a formação de planetas em volta de estrelas, orbitando mais perto delas os sólidos e de menor massa e, mais longe, os gasosos e de massas mais elevadas. Na verdade, o nono planeta cuja existência agora se admite, encontrar-se-á a uma distância da região central do nosso Sistema Solar cerca de 200 vezes superior à que separa a Terra do Sol e a massa estimada será perto de 6 vezes maior do que aquela de que é formado o nosso planeta.

Os autores desta teoria (baseada em elaborados cálculos matemáticos) asseguram que os elementos em falta, para garantir a sua convicção, serão finalizados dentro de três anos e que, se não houver surpresas, ao “planeta nove” seguir-se-á – certamente – o “planeta dez”, ainda mais longe do Sol.

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