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15 NOV 2021
OPINIÃO | "Centrais Térmicas", por Humberto Lopes
Por Jornal Abarca

Há trinta e seis anos, durante a campanha eleitoral para os órgãos da Autarquia Local – Município de Abrantes, o grande tema de debate foi a concordância ou discordância com a possibilidade de instalar, no Concelho, uma Central Termoeléctrica a carvão com 4 grupos geradores.

Vários debates se fizeram, vários oradores das mais diversas proveniências se deslocaram a Abrantes, para defender ou contrariar a instalação do dito equipamento. Os defensores iam pelo desenvolvimento local, pela criação de postos de trabalho, pela necessidade, cada vez maior, de produzir electricidade cujo consumo aumentava a cada dia. Os opositores defendiam a sua posição com a poluição ambiental e até com problemas ligados a possíveis “malefícios” com a instalação de centenas de trabalhadores vindos, não se sabia de onde, para a fase de construção, que duraria anos, com costumes e hábitos que poderiam contender e ser de má influência para as populações locais.

Mas eram mais as vozes pró do que as vozes contra!

Assim, passado o acto eleitoral, foram aprovados pareceres favoráveis à instalação, no local onde se encontra, nos respectivos órgãos autárquicos.

Foram impostas condições em relação aos teores de enxofre no combustível – carvão – a utilizar, foram impostas condições para o trajecto desse combustível desde o porto de descarga – Sines – até à Central – caminho de ferro com vagões de transporte cobertos para evitar que, durantes a viagem, se fosse espalhando pó de carvão ao longo do trajecto. Foram ainda criadas duas comissões de acompanhamento durante a construção. Uma Comissão Nacional e uma Comissão Local, ambas com representatividade para poderem ir acompanhando a implementação das medidas aprovadas, como criando outras que se iam entendendo como necessárias. Ainda outras, mais tarde, foram implementadas para mitigar a poluição resultante da queima do carvão.

Assim, nasceu a Central Termoeléctrica do Pego que, dos 4 grupos a carvão, previstos inicialmente, apenas foram construídos 2 e os outros 2 foram transformados para consumo de gás natural mais produtivo e menos poluente.

Como o futuro é um sistema dinâmico caótico, impossível de prever, estamos agora, 36 anos depois a lidar com o fecho de parte desta Central – os 2 grupos a carvão!

Vida curta – sem dúvida – para um investimento de milhões, com geração de despesas de milhões e receitas também de milhões. Centenas de postos de trabalho, que tanto influenciaram a opinião pública e a decisão favorável dos Órgãos Locais e Nacionais, irão ser extintos (já há desempregados como resultado deste processo).

Curiosamente decorreram há poucos dias eleições para os Órgãos Autárquicos do Município de Abrantes e, pouco ou nada, se ouviu falar ou discutir sobre o encerramento e respectivas consequências desta decisão!

Será, como se diz, que o “povo” anda adormecido? Será que os candidatos às recentes eleições não valorizam o problema que se está a criar? O que se passa?

Como é possível que não esteja já no terreno, pelo menos, uma Comissão Local representativa dos cidadãos de Abrantes (Concelho) para, junto do Governo, tratar desta questão tão importante para a vida futura da população do Município? Sim, porque da parte do Governo pouco ou nada se sabe, a não ser a criação de problemas e mais problemas com o único fim de poder vir a angariar mais uns milhares de euros com um concurso de validade duvidosa!

Fala-se por aí numa Comissão ligada ao dito encerramento com alguma representação.

Será suficiente?!

Teme-se que não.

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