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20 DEZ 2021
OPINIÃO | "Diagnóstico", por Humberto Lopes
Por Jornal Abarca

Procedimento que procura a causa conhecendo a consequência.

O médico faz o diagnóstico da doença pelos sintomas que a pessoa sente. Isto é, o médico procura a causa pelas consequências (sintomas).

O professor faz o diagnóstico das lacunas do conhecimento do aluno (consequências) para determinar a sua causa ou causas e, posteriormente, integrá-las.

O perito, pelas consequências do acidente, faz o diagnóstico da causa.

O juiz procura a causa do crime pelas consequências que conhece do mesmo.

Em Matemática chama-se ao diagnóstico “estudo da causa” e tem um tratamento na área do cálculo de probabilidades, no capítulo da probabilidade condicionada: qual a probabilidade do acontecimento B (causa) depois de se verificar o acontecimento A (consequência).

Assim, vou procurar, através do nosso sistema eleitoral (consequência), diagnosticar algumas causas que poderão manifestar interesse de análise diagnóstica.

Declaração de interesses: fui autarca e militante partidário entre 1977 e 1994 com o sistema vigente.

Para o breve diagnóstico vou utilizar os resultados das últimas eleições autárquicas do concelho de Abrantes sem qualquer intenção de juízo de valor ou crítica em relação aos órgãos eleitos e em funções.

O concelho de Abrantes, de acordo com o último censo, tem 34.351 habitantes dos quais 31.591 são eleitores inscritos.

Nestas eleições votaram 17.242 eleitores, 54,58%, e abstiveram-se 14.349, 45,42%.

As três forças políticas representadas no Executivo Municipal obtiveram 13.666 votos, 43,26% dos eleitores inscritos, menos de metade.

Atendendo ainda a que a força política maioritária, maioria absoluta, no Executivo obteve 9.620 votos, 55,79%, o que em relação ao total de eleitores inscritos representa 30,45%, menos de um terço do total.

Se compararmos este resultado da maioria absoluta de Executivo com o total dos habitantes do concelho (todos os habitantes, eleitores ou não, dependem do Executivo) chegamos ao resultado de 28,01% de representatividade desta maioria.

Atendendo ainda a que, pelo menos, desde 1994 os representantes no Executivo que não pertencem à força política que obteve maioria absoluta, ditos vereadores da oposição, pouco ou nada conseguem aprovar em termos de propostas que entendam apresentar, coloca-se-nos a primeira questão a diagnosticar: É justo este sistema de governação municipal?

Até 1994, último ano em que participei na governação do Executivo, não me lembro de haver o dito estatuto da oposição que hoje se invoca para estes vereadores e todos os que se dispusessem a ter áreas de responsabilidade, pelouros, tinham. Devo dizer, por experiência própria, que a “regra” era bastante útil, pois sete cabeças talvez pensem melhor que apenas quatro ou cinco.

Segunda questão: Deve um Executivo ser constituído por eleitos da força política vencedora e pelas outras não vencedoras, mas que, pelo método adoptado, elegem membros para esse Executivo onde vão ser oposição?

Terceira questão: Se sim, qual o “papel” da oposição no Executivo?

Quarta questão: Um Executivo eleito com menos de um terço dos eleitores é representativo?

Quinta questão: Qual a causa, ou causas para tanta abstenção?

Extrapolem para o País e para outras eleições!

É necessário diagnosticar!

Boas Festas e um Bom Ano Novo.

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