Diário de bordo
Uma grande festa do pedestrianismo no Entroncamento. Foi dentro desta filosofia que o CLAC, Clube de Lazer Aventura e Competição, apostou pela segunda vez narealização da II Ultra Rota dos Templários. Com mais de meia centena de participantes oriundos de vários pontos do país, fizeram já deste evento ummarco a nível nacional. Estiveram presentes caminheiros habituados a percorrer distâncias de fundo e ficaram muito entusiasmados com o potencial da nossa zona ribeirinha e com o desempenho da organização. Houve outros que pela aventura e experiência, apostaram fazer os 45 km para satisfazer o ego, encheram-se de júbilo com a chegada ao fim.
Como início às 7.00h, após um briefing, lá fomos em direção a nascente. Os primeiros 20 km percorreram zonas como os eucaliptais da Atalaia, com vistas magníficas sobre o vale do rio Tejo, o cais de Tancos com o seu espelho de água e de frente para a bela aldeia do Arripiado. Junto ao Castelo de Almourol, um dos pontos altos desta mega caminhada, aos 11 Km, procedeu-se ao primeiro abastecimento de líquidos e sólidos fornecidos pelos membros da organização.
Eram aproximadamente 9.30h, todos os caminheiros estavam com ar de contentamento, diria mesmo de festa, as máquinas fotográficas não paravam e guardavam, assim, o momento para que ele não fugisse da memória. Comeram-se bolinhos, fruta, chocolate e as bebidas, água e sumos, que foi um regalo.
Seguidamente, caminhámos em direção à estação da CP de Almourol, todos cantavam e riam, a boa disposição era geral. Percorremos um carreiro muito engraçado, o das hortas e chegámos à Praia do Ribatejo. Os mais sensíveis não deixavam de fotografar artefactos, cães, flores e pequenos insetos. Descemos ao leito do rioTejo e andámos paralelos ás suas margens até à ponte ferroviária. Depois por estrada alcatroada chegámos à zona das escadinhas com uma vista soberba sobre Constância. Mais umas fotos lindíssimas e a inquietude instalou-se em alguns ao saberem que iam passar de barco o rio Zêzere. Lá descemos as escadinhas até ao rio e esperaámos pelo zebro dos bombeiros voluntários de Constância. Todos estavam entusiasmados, sentados na margem do rio à espera da sua vez de embarcar. Foi sem dúvida um grande momento de convívio e felicidade, o da passagem do rio. Alguns participantes testemunharam, ao chegarem aos 20 km que devido à sua variedade os percorreram sem darem por isso.
Hora de almoço, às 12.00h, chegámos a tempo, o banquete estava montado no parque de campismo de Constância e a confeção coube ao CLAC. Já sentados, foi servida sopa de feijão, carnes mistas grelhadas, arroz doce e/ ou fruta. As bebidas variavam entre a água, vinho, cerveja e sumo. Também tivemos atenção a pessoas vegetarianas a quem servimos atum com feijão-frade. Foram postas em dia conversas entre amigos de longa data e outros mais novos, falou-se da perspectiva da caminhada da parte da tarde pois o calor apertava.
Estava na hora de ajustar o calçado para iniciar a próxima etapa com a passagem de barco do rio Tejo e o percurso pela margem sul. Para começar, uma subida em Constância sul até à capela de Santo António. Aí, um bebedouro tornou-se a paixão de muitos, previa-se uma tarde complicada devido ao calor. A descida de um corta-fogo de pedras rolantes tornou-se numa diversão e demonstrou a entreajuda dos caminheiros mais experientes e daqueles mais curiosos que pela frente iam ultrapassando obstáculos. O ambiente estava ao rubro não fosse realmente o calor que até colava a língua ao céu-da-boca. As intervenções rápidas em locais estratégicos dos abastecimentos de líquidos pela carrinha do clube revelou-se de extrema importância. Todos estavam com sede. Água ou sumo fresco, tanto fazia, a temperatura tocava nos 37º e 35% de humidade relativa. Estávamos numa situação de limite ao que correspondemos com eficácia. Aqueles quilómetros no interior dos eucaliptais fizeram com que repetisse-mos o abastecimento líquido mais uma vez. Mais de 80 litros de água para pouco mais de 45 caminheiros que se propuseram a chegar ao fim.
O 2º abastecimento líquido e sólido foi no miradouro do Castelo de Almourol. Já com 30 km nas pernas apareciam as primeiras baixas, e felizmente foram só duas. Porque há pequenas coisas que fazem a diferença e cansaço apodera-se de nós. Eram 17.30h todos comiam e bebiam descontraidamente, descalçavam-se e estendiam-se para contrariar a forçado hábito. Também a casa de banho foi muito concorrida que estava situada no edifício municipal da Chamusca. Entrámos no Arripiado por um caminho apertado, subimos à igreja Matriz e descemos ao cais onde nos esperava o barco que nos transportava a Tancos. Aproveitava-se a espera de cada viagem para esticar o corpo tanto numa ou noutra margem sendo a de Tancos um jardim com relva que apelava a uma bela sesta. Mas continuava esta epopeia e o dia ia escurecendo. Já com a chegada à Barquinha, mais um abastecimento rápido de líquidos e com a noite a cair a colocação de alguns frontais e lanternas que nos iluminou até à misteriosa Quinta da Cardiga. Aqui tirámos a foto de família encostados à fachada do palácio. A noite já estava cerrada e pouco faltava para o fim. Alguma ansiedade se apoderava de nós, de chegarmos ao fim. A avenida da Cardiga já é feita com algum cambalear para alguns, outros seguem com um passo solto e fluido. A travessia do Entroncamento foi um pouco estranha, ver “civilização” passadas tantas horas no campo e os habitantes a olharem tão sérios, enfim.
A chegada ao pavilhão, 21.30h revelou-se extraordinária e a festa estava ali. Todos aplaudiram e deram vivas a estes corajosos que adoram a natureza. Uns GPS`s marcavam 48, outros 45.7km por isso a coisa fica por aí. Também não faltou uma secção de alongamentos e um banho para relaxar antes da janta.
O fim da festa foi um jantar servido pelo restaurante O Almourol, sopa de legumes, massa á bolonhesa, bebidas e doces. Finalmente o discurso de despedida, a troca de mimos e um até breve, sempre com a alegria estampada no rosto.
João Pimenta
(Coordenador dos passeios pedestres do CLAC)