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MAIO '08
 
 

BARRAGEM DE ALMOUROL À COTA 24
CONCURSO PÚBLICO ESTÁ LANÇADO

 
 
 
 
Nelson de Carvalho espera que a autarquia seja recompensada pelo investimento no açude. António Mendes está convicto que o projecto não vai avançar.
 
Açude insuflável, à cota 23, fica inviabilizado com a construção da Barragem de Almourol
Está lançado o concurso público para a construção da Barragem de Almourol. A cota foi reduzida de 31 para 24. Abrantes e Constância defendem que este projecto é inviável, mas reconhecem que os impactos são minimizados.
Nelson de Carvalho, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, espera que o município seja “recompensado” pelo investimento feito no açude que, estando à cota 23, será inviabilizado com a construção da barragem. No entanto, o autarca sublinha que o Governo levou em conta as preocupações do município, “acautelando os interesses” dos abrantinos. “A cota 24 resolve as questões” problemáticas que tinham sido levantadas, “minimizando os impactos”.
António Mendes, presidente da Câmara Municipal de Constância, afirma estar “solidário com Abrantes” e atesta que a autarquia nunca teve nenhuma objecção à construção da barragem, desde que executada com as condições impostas pelo seu município. Porém, declara: “Com toda a reserva, porque não disponho de todos os elementos, seria mais verdadeiro assumir o fracasso da localização no Tejo e encontrar uma alternativa”, esta foi “uma maneira airosa de o Governo não dizer que não punha esta barragem a concurso, sob pena de abrir um precedente”.
Relativamente à redução da cota, António Mendes assegura que “dificilmente algum investidor pegará neste projecto”, já que a produção de energia será reduzida ao contrário do investimento que será elevado. “Estou convicto que não vai avançar”, afirma. Nelson de Carvalho também não acredita da viabilidade do projecto, indo ainda mais longe ao defender que nem à cota 31 seria viável já que o investimento seria muito maior tendo em conta as indemnizações que teriam de ser pagas. Mas o autarca abrantino considera que terão de ser os privados a fazer os estudos e a avaliar a viabilidade económica da barragem.
Joaquim Mendes, do Movimento Anti-Barragem, diz que esta decisão “em termos de movimento será desmobilizadora”, uma vez que “o impacto nas povoações será nulo”. No entanto, certifica que o Movimento Anti-Barragem se mantém até porque ainda se vão realizar os estudos de impacto.