O presidente da Câmara de Abrantes apresentou recentemente ao ministro do Ambiente um estudo sobre os possíveis impactos sociais e económicos da construção da barragem de Almourol, propondo em alternativa a construção de três mini-hídricas no Tejo (Abrantes, Pego e Almourol) e uma outra em Constância (junto à foz do rio Zêzere).
Segundo disse ao jornal ABARCA, o ministro “mostrou-se muito interessado e, não tenho dúvidas que ficou muito mais esclarecido sobre o problema. “
O autarca que não lhe compete pronunciar-se sobre a decisão que Nunes Correia possa vir a tomar, mas “penso que depois desta reunião, o ministro vai tomar uma boa decisão”.
Entretanto, a Assembleia Municipal de Abrantes aprovou, na sessão de dia 29, um conjunto de medidas preventivas para a área ribeirinha da cidade, precavendo-se da eventual construção da barragem.
As medidas aprovadas são “preventivas e restritivas” para proteger os terrenos ribeirinhos de eventuais construções ou especulações imobiliárias “até que a Câmara defina um Plano de Pormenor e decida o que quer fazer daquela área”.
Em meados de Fevereiro, a Câmara de Abrantes adjudicou, por 24.500 euros, acrescido de IVA, um parecer técnico sobre o impacto sócio-económico, em Abrantes, do projecto da Barragem de Almourol, à empresa Augusto Mateus & Associados. De acordo com o solicitado pela Câmara, empresa irá identificar e sistematizar os impactos territoriais da construção de uma infra-estrutura com as características projectadas ao nível territorial, social e económico dos territórios afectados.
O relatório final terá de ser entregue até ao final do mês de Abril de 2008.
A barragem de Almourol, uma das 10 do Plano Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, foi inicialmente projectada para a zona de Praia do Ribatejo, a jusante de Constância, mas o facto de obrigar literalmente ao emparedamento da vila levou a que fosse considerada uma segunda opção, a montante, junto à Fatacinha, ainda no concelho de Constância, mas com impactos no vizinho concelho de Abrantes.
O Plano Nacional de Barragens representa, segundo o ministro do Ambiente, um investimento entre 1.000 e 2.000 milhões de euros e aumenta a capacidade hídrica instalada no país em mais 1.100 megawatts (MW). E, na opinião do Partido Ecologista Os Verdes, podem pôr em risco 30 locais. |