O Tribunal da Relação de Évora confirmou a pena de prisão efectiva de dois anos a um condutor, de 37 anos, que num acidente ocorrido há três anos causou a morte a um menino de nove anos”, noticiou o Correio da Manhã. Condenado em 1ª instância por um crime de homicídio por negligência grosseira, Fernando Santos, camionista há 12 anos, nunca sofrera um acidente ou fora multado, e considera que a condenação, pouco habitual, "é injusta".
"Ninguém mais do que eu lamenta o que se passou. Lembro-me todos os dias que morreu uma criança, mas prenderem-me como se fosse um bandido é um exagero", diz o condutor do pesado, que reside em Pego, Abrantes. A mulher está desempregada e o casal tem uma filha, de 18 anos, e adoptou dois sobrinhos, de 10 e 13. "Eu sou o único a ganhar para a casa. O que vai ser de nós agora?".
O acidente ocorreu em Outubro de 2008, na A1, em Santarém, e vitimou Medhi, filho de Nouredinne Khamassi, empresário e ex-funcionário da embaixada da Tunísia. O condutor, o seu tio Nabil, ficou gravemente ferido. O acórdão da Relação conclui que o condutor não travou ou efectuou qualquer manobra de evasão, e conduzia desatento e indiferente às restantes viaturas. "O carro tinha acabado de me ultrapassar e reduziu bruscamente quando estava à minha frente. Foi o que provocou o embate", diz Fernando.