"Ester Leão – Uma Actriz da República", da autoria de João M. A. Florindo, será apresentada, no âmbito das Comemorações do Centenário da República, no dia 13 de Novembro, pelas 16h30, no Auditório do Museu Nacional do Teatro, com a presença de Luís Farinha, Comissário da Exposição “Viva a República 1910-2010” e de Maria Helena Werneck, Professora Universitária de Unirio – Rio de Janeiro. Será ainda feita uma leitura encenada de “Um Episódio de Boneca", de Ester Leão, com a coordenação da actriz Carla Chambel e pelo grupo cénico A’Venturarte, de Gavião.
Um estudo cuidado, levado a cabo por João M. A. Florindo, Mestrado em Estudos Artísticos e com uma Especialização em Estudos Teatrais e Performativos, que pretendeu fazer uma abordagem sintética da vida e obra desta actriz gavionense, encenadora, escritora e professora que depois de um percurso invulgar nos palcos portugueses, se auto-exila, no Brasil, na década de 30, do século passado (descontente com o panorama político nacional), para não mais voltar.
O desafio lançado ao autor, na reconstituição da vida desta actriz de temperamento irrequieto, envolvia riscos. Nem mais nem menos, uma viagem pelo percurso de Ester Leão mas também um percurso pela história e pelo património cultural, no 1º Centenário da Implantação da República em Portugal. Filha do médico, diplomata e republicano gavionense Eusébio Leão, que a 5 de Outubro de 1910 proclamou a República à varanda da Câmara Municipal de Lisboa, cedo viu contrariada, pela família, a vontade de se dedicar às lides do palco. Naquele tempo, o teatro era coisa para divas de vida e de reputação duvidosa e não ocupação para filhas-família com aspiração de ascensão social. E este não era o meio que poderia convir a uma jovem de família burguesa, de ricos comerciantes e políticos creditados (o tio e seu principal opositor era Ramiro Leão, conhecido comerciante com casa estabelecida no Chiado).
Ester lutou com todos os meios que tinha à sua disposição e em 1913 estreia-se na peça Assalto, de Bernstein, com o nome artístico de Ester Durval, numa atitude que visava não só contrariar os anseios familiares, como também tentar que o seu apelido não pudesse ser associado à carreira político-diplomática do pai. Mulher determinada, travou uma árdua batalha contra a oposição da família, contra a rudeza da censura, a falta de companhias teatrais que sustentassem o trabalho dos actores e ascendeu ao topo da sua carreira depois de somar muitos êxitos. Mas foi no Brasil que triunfou como técnica de voz, como actriz e como encenadora e directora teatral. Pelas suas mãos passaram nomes consagrados como Cacilda Becker, Nathália Timberg, Vanda Lacerda, Glauce Rocha ou Fernanda Montenegro.
“Um percurso invulgar” assim se refere Luís Farinha, autor do prefácio desta obra e Comissário da Exposição “Viva a República! 1910-2010”, patente na Cordoaria Nacional, sobre Ester Leão, e remata “no ano em que se comemora o Centenário da I República, o estudo monográfico sobre esta “diva brasileira”, nascida portuguesa, é não só um trabalho importante para a evocação memorial dos gavionenses, mas sobretudo um contributo valioso e imprescindível para a construção de uma história cultural do país.”