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11.fevereiro.2011 |
“Candidatos a forcados” estreiam-se na Chamusca  
   
Sábado. Três da tarde. À praça de toiros da Chamusca chegavam aspirantes a forcados. O dia estava soalheiro e cerca de uma vintena de rapazes, dos 14 aos 20 anos, fervilhava para tentar a sua sorte. Alguns iriam sentir pela primeira vez a emoção de pegar. A adrenalina e a “experiência única” de encarar e dominar uma vaca brava.
   
MARGARIDA TRINCÃO
(TEXTO E FOTOS)
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Entraram para a trincheira, despejaram os bolsos e no centro da arena ouviram as primeiras indicações do Cabo do grupo dos Forcados Amadores do Aposento da Chamusca, Tiago Prestes. Pegar exige técnica. É preciso saber colocar as mãos, chamar o toiro, esperar pela investida, recuar, para por fim pegar.
Do grupo de rapazes estreantes, alguns poderão ingressar num grupo de forcados. Tiago Prestes disse ao jornal Abarca que ficou surpreendido com o jeito natural de alguns dos candidatos: “Alguns surpreenderam-me sim, mas todos eles se não forem forcados, serão certamente aficionados e isso é importante. Por outro lado, esta é uma experiência de que não mais irão esquecer”.
O primeiro treino foi com a tourinha, para ambientar os jovens forcados e dar-lhes os primeiros ensinamentos do cite e do recuo. “O recuo é muito importante, quem sabe recuar tem meia pega feita”, afirmava o Cabo. Depois de umas pegas à bicicleta com cabeça de touro, a primeira rês entrou na arena.
Um vaca cega, mas “com pata” segundo indicação de José Alves, experiente maioral. Não fez moça, mas atormentou os jovens que não percebiam para que lado a vaca iria investir. “Têm de comandá-la com a voz, porque ela não vê”, indicava Tiago Prestes
Pedro Caldeira saltou para a arena. Tem 16 anos é filho de um crítico tauromáquico e quer seguir jornalismo, mas a festa brava está-lhe no sangue. “Pegar é uma sensação única. Já tinha toureado a pé, agora vim experimentar pegar”. Diz, ainda com as faces rosadas do esforço, que tudo o que envolve a festa brava lhe interessa, porque o touro é um animal “misterioso”. Lá na frente, de olhos postos na rês não sentiu medo, sentiu “muito respeito”.
Os jovens candidatos iam rodando, com mais ou menos jeito, o dia era de festa. Foi a vez do “benjamim” do grupo. Afonso Melara Dias, 14 anos – fez 15 no dia seguinte – irmão de António Melara Dias, forcado do Aposento da Chamusca. Citou, foi lá à frente e pegou por duas ou três vezes. Quis experimentar por influência do irmão e porque gosta. Já tinha pegado numa vacada, mas não sabe se quer ou não seguir a forcadagem. Por ora “é mais curiosidade”.
Ao todo entraram na arena da praça de touros da Chamusca três vacas, pegadas por quem se quis candidatar, sob a orientação do Cabo Tiago Prestes que nos intervalos dava as indicações necessárias. Uma pequena reunião para afinar alguns desacertos e explicar que o “touro não é nenhum bicho de sete cabeças”. Mas sobretudo importa referir que os forcados são uma família e, para prová-lo depois das pegas o grupo continuou a festa.