Relação entre corporação e direcção é há muito difícil. Divergências levaram a que 32 de um total de 36 voluntários da associação pedissem passagem ao quadro de reserva. O Jornal Abarca teve acesso a uma comunicação interna em que o presidente da associação comunica ao comandante da corporação “não aceitar” outro castigo que não o que sugere no caso de alegada indisciplina de um dos bombeiros
O caso remonta ao dia 4 de Setembro, dia em que, alega Filipe Rato da Graça, presidente da direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Entroncamento (AHBVE), um dos bombeiros da corporação se dirigiu a ele, por telemóvel, com “falta de educação, de formação, de disciplina e outros considerandos”, lê-se na Comunicação Interna (CI) Ref. 22/2011.
A conversa terá sido explícita, como se lê numa frase escrita na CI. Esta alegação levou a que se levantasse inquérito disciplinar ao bombeiro em causa, mas o que ressalta nesta CI é o facto de a certa altura Graça escrever “não aceitarei punição inferior à descrita no art.º 38 n.º 1 b), com observância do art.º 42.º do Decreto-lei 241/2007”.
A questão ganha outros contornos quando em comunicado, libertado para a comunicação social no início desta semana, os Bombeiros do Corpo de Bombeiros Voluntários do Entroncamento (CBVE) acusam o presidente da AHBVE de “interferência e da inépcia Disciplinar”, referindo precisamente este caso nesse ponto argumentativo do comunicado.
Nesse comunicado o CBVE acusa Graça de uma “prática habitual” no que concerne a “emissão de “Comunicações Internas” dirigidas ao Comandante do Corpo solicitando-lhe a abertura de Processos Disciplinares e indicando logo quais as penas disciplinares que espera ver aplicadas”.
Contactado pelo Abarca para reagir às acusações e conteúdo da CI a que tivemos acesso, Filipe Rato da Graça, presidente da AHBVE, confirmou o que se lê na mesma e afirmou que “apenas me limitei a relatar o incidente ao comandante”. Questionado sobre se a comunicação não se enquadrava num tipo de pressão para com João Pombo traduzida em intromissão e limitação da sua autonomia, o presidente da AHBVE negou quaisquer tipo de pressões, apesar das expressões utilizadas como “não aceitarei”. “Eu apenas induzi a tomar uma certa medida”, confirmando também a “total autonomia do Comandante da Corporação em procedimentos disciplinares”.
O Jornal Abarca já obteve reacções dos intervenientes e a notícia completa com estas e outras reacções de Filipe Rato Graça, será publicada na próxima edição do Abarca. |