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15.novembro.2010 |actualização

Insegurança em Abrantes

 
Desde Janeiro de 2010, o jornal Abarca tem referenciado alguns dos casos de insegurança no concelho de Abrantes. Em Fevereiro registou a criação do Conselho Municipal de Segurança em Abrantes e continuou a dar conta de vários casos. Mas, a 23 de Outubro, o Comando Distrital da PSP de Santarém emite um comunicado considerando que "a criminalidade denunciada e detectada pela Esquadra da Polícia de Segurança Pública de Abrantes está dentro dos parâmetros de registo criminal normais". E, a 8 de Novembro, Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara de Abrantes afirmou que “devido a um conjunto sistemático de incidentes, a cidade vive confrontada com um “sentimento generalizado de insegurança”.

 

EDIÇÃO 234 | 28 JANEIRO 2010____________________________________________________________________

. Espancados à porta de casa

Um homem de 66 anos e a sua fi lha foram espancados à porta de casa, na Calçada de São José, em Abrantes. Eram cerca das 23h30 de sábado, dia 23. Os alegados agressores são menores, têm idade inferior a 16 anos, e estão referenciados. Sobre eles decorre um processo tutelar educativo no Tribunal de Abrantes.
Os agredidos foram transportados pelo INEM para o hospital de Abrantes e ele foi, posteriormente, transferido para o hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, onde foi sujeito a uma intervenção cirúrgica ao nariz. O casal e a filha estavam em casa quando ouviram um barulho estranho. A filha abeirou-se da janela e viu que dois rapazes tentavam torcer o espelho retrovisor da sua viatura. Saiu à rua, seguida pelos pais e foi brutalmente atirada ou chão e espancada com pontapés e murros. O pai, em seu socorro, acabou por ser igualmente agredido. A mãe não sofreu agressões, mas assistiu horrorizada aos espancamentos.
“Se não fosse os vizinhos, não sei o que poderia ter acontecido”, disse ao jornal Abarca fonte próxima da família. Os agressores puseram-se em fuga com a chegada dos vizinhos, mas foram identificados. A PSP chegou de seguida.
As vítimas já tiveram alta hospitalar, mas encontram-
se bastante traumatizadas e magoadas. É sua intenção apresentar queixa à PSP logo que física e psicologicamente se sintam melhor.
Fonte da PSP adiantou ao Abarca que a formalização da queixa é a única forma que existe para a polícia poder remeter o assunto para Tribunal. “A polícia não prende, é o tribunal, quando muito pode apresentar o alegado infractor ao juiz, mas tratando-se de menores é muito mais complicado. Se há queixas elas devem ser formalizadas e os queixosos não têm que ter medo”.
O Abarca tentou contactar o responsável pelo Instituto de Reinserção Social, dado os alegados infractores deverem estar a ser acompanhados pelo IRS, mas tal não foi possível.
Segundo o comunicado da PSP, este não foi o único caso de violência ocorrido em Abrantes durante o fim de semana. Entre as 19h00 do dia 23 e às 10h00 do dia 24, desconhecidos entraram nas instalações do Agrupamento de Escuteiros. “Depois de terem partido uma janela, remexeram as instalações, mas em principio não furtaram nada de valor”, lê-se no comunicado que continua: “Três menores identificados por esta Polícia tentaram entrar em duas residências, não o tendo concretizado por se terem apercebido da presença das proprietárias que gritaram, estes injuriaram-nas e encetaram fuga”. Foram também registados danos em viaturas “praticados por dois suspeitos identificados por esta Polícia”.
O comunicado conclui que “há suspeitas de que três indivíduos menores tenham praticado a generalidade desse actos, estes menores são oriundos de famílias problemáticas, recaindo sobre eles processos tutelares educativos no Tribunal Judicial de Abrantes. Esta situação está a ser acompanhada, com algum cuidado, pela Esquadra de Abrantes, que para o efeito tem vindo a implementar um policiamento direccionado para esta problemática, visando evitar outras situações que causem alarme ou sentimento de insegurança na população”.
Entretanto, a Câmara Municipal de Abrantes, na sua reunião pública de segunda-feira vai apresentar algumas medidas tendentes a solucionar este problema de insegurança que já se arrasta há algum tempo.

 

EDIÇÃO 235 | 04 FEVEREIRO 2010____________________________________________________________________

. Conselho Municipal de Segurança contra ataca criminalidade

“Preocupada” com os “recorrentes atos de marginalidade e delinquência” que ocorrem em determinados pontos da cidade -“os locais e os indivíduos estão perfeitamente identificados”-, segundo afirmou a presidente da autarquia, o CMS foi apresentado como sendo uma entidade de natureza consultiva e que terá como principais objetivos promover a articulação, a troca de informação e a cooperação entre todas as entidades que estejam envolvidas na promoção dos objetivos de garantia de inserção social, prevenção da marginalidade e na garantia da segurança e tranquilidade das populações.
A aprovação do Conselho Municipal de Segurança e respetivo regulamento surge numa ocasião em que a população de Abrantes se viu confrontada com “uma nova sequência de atos de violência e vandalismo”, que aconteceram ao longo dos últimos dias e deixaram a comunidade “intranquila e revoltada pela impunidade dos seus autores”, segundo disse a presidente de Câmara.
Céu Albuquerque afirmou que um grupo de jovens, “alguns com menos de 16 anos”, está identificado como sendo o “responsável pelo clima de medo e de insegurança” que se sente em “determinados pontos” da cidade, sendo o mesmo grupo apontado agora como “suspeito de agressões a murro e a pontapé”, a um homem e sua filha que os surpreenderam a danificar um automóvel.
As duas pessoas agredidas tiveram de receber tratamento hospitalar, o que originou na população um sentimento de “revolta pela impunidade” deste grupo de menores sobre os quais recaem processos tutelares educativos no Tribunal Judicial de Abrantes.
A presidente da Câmara “apelou” esta semana para que as pessoas “não tenham medo de represálias e apresentem queixa” junto das autoridades policiais.
Segundo acrescentou a autarca, o CMS “não é uma varinha de condão e não vai resolver os problemas no imediato”. Mas “acredita” que o mesmo pode desempenhar um papel “determinante” na criação de medidas de prevenção, “sentando à mesma mesa” as várias autoridades com responsabilidades na matéria.
Ao CMS competirá dar parecer sobre a evolução dos níveis de criminalidade no concelho, o dispositivo legal de segurança e a capacidade operacional das forças de segurança, índices de segurança e o ordenamento social, e o acompanhamento e apoio às ações dirigidas à prevenção da toxicodependência e à análise da incidência social do tráfico de droga e o levantamento das situações sociais que possam favorecer atos potenciais de violência”, entre outros.
O regulamento agora aprovado é provisório. Para cumprir a legislação que regula esta matéria, o regulamento deverá ser aprovado pela Assembleia Municipal, seguindo para parecer do próprio Conselho e ser sujeito a aprovação definitiva pelo referido órgão autárquico.

 

. Insegurança e violência

“Nos últimos quinze dias foram assaltadas seis casas, para além de várias tentativas de assalto”, afirma Aníbal Melo, presidente da Junta de Freguesia de São Vicente. Ontem mesmo quando tentamos saber o contacto de uma pessoa da Chainça a quem tinham maltratado várias cabeças de gado, foi-nos dito de um novo assalto perto da estação de Alferrarede.
A Junta de Freguesia tem conhecimento destas situações, mas “não temos competências para fazer o que quer que seja”, lamenta o autarca.
Para além dos assaltos, há registo de agressões a pessoas e animais. No penúltimo fim-de-semana (ver anterior edição do jornal Abarca), um pai e uma filha foram brutalmente espancados. A queixa foi formalizada no dia 28 de Janeiro. Na passada sexta-feira, um septuagenário residente na Rua de Santa Catarina foi alvejado com dois disparos e teve que receber tratamento hospital. Um ou dois dias depois, um jovem com cerca de 20 anos, que estava no multibanco, foi atingido na cabeça com uma garrafa e espancado, foi também assistido no hospital.
A Chainça e a Calçada de S. José são apontadas como zonas perigosas Mas os problemas não se restringem a estas áreas. Cafés, casas particulares, pessoas e animais estão nas mãos de delinquentes que começam a transformar Abrantes numa cidade pouco florida.
“São sempre os mesmos, não é novidade para ninguém. O delegado do Ministério que assenta o sistema democrático”, acrescentando que “Abrantes tem vindo a conhecer, desde há alguns anos, um crescendo de situações lesivas de segurança de pessoas e bens, inicialmente confinado a algumas áreas consideradas mais problemáticas, mas que, ultimamente, se tem verificado também na generalidade do concelho”.
O vereador Santana Maia Leonardo justificou a chamada dos jornalistas à conferência de imprensa com o facto de a situação estar a “começar a tornar-se insustentável, aliado ao silêncio de quem devia ser o primeiro a denunciar a situação e a agir”, e manifestando a sua “estranheza pelo silêncio de diversos órgãos, a começar pela Câmara Municipal”.
O vereador social democrata referiu que “embora” o Conselho Municipal de Segurança seja um órgão meramente consultivo, a sua importância “é grande, dado que é um fórum privilegiado de discussão” destes assuntos e de análise das situações e realidades que os geram. Funciona também como articulação de todas as entidades envolvidas nesta problemática e de propostas que possam, primeiro, prevenir e, depois, minorar ocorrências do tipo das verificadas.
Segundo acrescentou, “tudo isto demonstra, de algum modo, o peso que os executivos socialistas atribuem à questão da segurança, pois a verdade é que alguns, para não dizer muitos dos autores das ocorrências publicamente conhecidas, são oriundos de famílias ditas desestruturadas e objecto de programas de acompanhamento diversos por parte das entidades que se movimentam nestas áreas”.
“É caso para dizer, com toda a propriedade, que os resultados nestes casos concretos não têm aparecido, bem pelo contrário”, afirmou Santana Maia, acrescentando que “resta, pois, mudar de programas, se existirem, ou mudar de estratégia. Ou será preciso que aconteça uma fatalidade para que posteriormente se lamente muito e se faça alguma coisa?”, questionou.
Insegurança e violência
Público sabe quem são, mas eles não são apanhados em flagrante delito”, lamenta Aníbal Melo, acrescentando: “Quando os filhos são menores os pais são os responsáveis, mas também não vejo a fazer nada aos pais”.
Alguns dos presumíveis delinquentes têm acompanhamento pelos técnicos da Direcção Geral de Reinserção Social, uns são menores de 16 anos, outros já ultrapassaram essa idade. O jornal Abarca tentou obter informações junto deste organismo, mas o pedido tem que ser formalizado por escrito e a resposta não chegou a tempo desta edição.
Junto das forças policiais, a informação é de que raramente as vítimas apresentam queixa, pelo que não há forma de dar andamento aos processos.
A Governadora Civil do Distrito de Santarém irá pronunciar-se sobre o assunto logo que tenha recolhido os dados necessários.

Acontecimentos mais antigos
O problema da insegurança em Abrantes, que se terá agudizado nas últimas semanas, não é novo na cidade.
Em Agosto de 2009, o Café Restaurante Sopadel, em Abrantes, foi palco de uma rixa entre três indivíduos, dois de etnia cigana.
“Estava um homem ao balcão que se meteu connosco”, conta uma das empregadas, “e o Chico Cigano [como é conhecido] veio defender-nos. O outro homem acabou por sair mas voltou e bateu no Chico Cigano” que já estava a jantar acompanhado pelo sobrinho. Os indivíduos de etnia cigana responderam e agrediram violentamente o homem que acabaria por receber assistência hospitalar. A PSP foi chamada ao local, tendo apenas identificado o indivíduo ferido na rixa. Quanto aos indivíduos de etnia cigana “disseram que não era preciso porque já os conheciam”, refere Carlos Matos, proprietário do estabelecimento. “Ainda dissemos que eles tinham mesmo acabado de sair, mas não quiseram ir atrás deles”, acrescenta a empregada.
O empresário sublinha que esta foi a “primeira zaragata que houve neste café. Não tenho tido razão de queixa”, afirma. No entanto considera existir falta de segurança e nem a proximidade da esquadra da PSP, que se situa a alguns metros a garante. Carlos Matos defende ser necessária mais vigilância e maior rapidez de actuação, revelando ter pedido aos vários comissários que têm assumido o comando da esquadra que, “pelo menos, em dias de mercado, os agentes circulem dentro do centro comercial. Isto para evitar conflitos já que os indivíduos de etnia cigana costumam vir para aqui e chegam a ofender as empregadas. Até já houve uma segunda-feira que tive de fechar o café”. Mesmo assim, “passam aqui de ano a ano”, lamenta. “Acho que embirraram com o meu pedido”.
Dois anos antes, um casal com dois filhos mudou de residência e de país, com medo de ser linchado por um grupo de indivíduos. O caso continua nos tribunais.
Junto ao Centro Comercial Millenium, em Abrantes, o pai e o filho mais velho envolveram-se numa rixa quando foram abordados por um grupo de indivíduos de etnia cigana que insistiam em saber as horas pelo telemóvel do jovem. Na altura, com 16 anos, o jovem e o pai acabaram por se envolver numa rixa com agressões mútuas, tendo um indivíduo de etnia cigana sido golpeado pelo rapaz com uma navalha de borboleta. O grupo prometeu vingança. A família, que residia em Abrançalha de Cima, fugiu para Espanha, mas os indivíduos de etnia cigana deslocaram-se à aldeia e agrediram violentamente os avós do jovem em fuga. Os agressores foram condenados em tribunal, mas recorreram. Não se conhece o desfecho deste caso, mas é certo que a família não volta.
O ano passado de um canil particular foram barbara e sadicamente mortas uma cadela e as suas crias. Num rebanho da Chainça, os deliquentes alvejaram e cegaram algumas cabeças de gado. A Associação de Defesa dos Animais do Concelho de Abrantes denunciou a situação.
Provavelmente, as estatísticas indicam que Abrantes é uma cidade segura, mas estes e muitos outros casos não são ficção cientifica.

 

EDIÇÃO 267 | 23 SETEMBRO 2010____________________________________________________________________

. Empresário de Abrantes barbaramente agredido

Joaquim Ribeiro, empresário abrantino, foi mais uma vez agredido na madrugada de segunda-feira. Desde Junho, altura em que abriu um estabelecimento de restauração e cafetaria, na Avenida 25 de Abril, em Abrantes, que Joaquim Ribeiro já foi vítima e três agressões.
Os agressores estão identificados e a polícia foi chamada ao local. “Na segunda vez que me agrediram tentaram entrar com a viatura para dentro do café, desta vez eu estava sentado numa mesa com um cliente, tocaram nas costas virem-lhe e deram-me duas cabeças e um murro. Tive que receber tratamento hospitalar”.
Joaquim Ribeiro não reagiu e está convicto que se o fizesse o café seria destruído. “Era um grupo de oito pessoas, portanto se houvesse alguma reacção da minha parte partiam tudo”.
A vítima, que irá apresentar queixa à PSP, acredita que estas agressões só têm uma causa: “Acham que faço concorrência a outros estabelecimentos do ramo e ameaçam que iraão acabar com o estabelecimento.”
A criminalidade em Abrantes foi um dos assuntos levantados pelos vereadores do PSD na reunião camarária de dia 20. Os social-democratas afirmam que a cidade chegou a uma “situação insustentável” e que existem “fortes indícios de situações de cariz mafioso, como é o caso de extorsão de dinheiro e de bens a comerciantes, através da intimidação física e da coação psicológica, e de esquemas de contratação de elementos de comunidades marginais para amedrontar e afugentar a clientela de estabelecimentos comerciais concorrentes.”
Dizem também que é “surpreendente como se consente que indivíduos que se dedicam a este tipo de actividade, se passeiem, com a maior das naturalidades, pelas ruas da nossa cidade armados, exibindo a arma e apontando-a a quem lhes apetecer, e em carros portadores de autênticos arsenais bélicos”.
Casos como Joaquim Ribeiro confirmam a posição dos vereadores do PSD que pretendem saber porque razão “a Câmara Municipal ainda não solicitou uma audiência ao ministro da Administração Interna com vista à tomada de medidas urgentes para que o Estado de Direito e a segurança pública sejam garantidos na cidade de Abrantes”. Se essa audiência já foi solicitada e nada foi feito questionam: “por que não denunciou ainda o facto publicamente, quando é certo que hoje só a denúncia através da comunicação social tem efectivo poder para pressionar os governantes a tomarem as medidas que se impõem?”

 

EDIÇÃO 269 | 07 OUTUBRO 2010____________________________________________________________________

. O Terror instalou-se em Abrantes

Testemunho de Fernando António Dias Correia apresentado na sessão da Assembleia Municipal de Abrantes:

Devo dizer que como surdo-profundo, não me foi fácil perceber a realidade do que se passa nesta cidade, antes de ter mergulhado nela. Enquanto todos sabem e comentam, as necessidades especiais de comunicação que tenho, que obrigam o interlocutor a escrever num papelinho a sua comunicação, eu pouco sabia…até que o meu filho Hugo foi vítima de espancamento, ameaças de morte, extorsão, destruições nos seus bares e perseguição constante para entregar uma mala com dinheiro e um carro… Não tenho nada contra os ciganos, porque sei que os há bem formados, com licenciaturas e uma vida normal de trabalho, e com boa integração na vida social. Acontece que, em Vale de Rãs, Abrantes, existe uma comunidade cigana que alberga um grupo de criminosos que aterroriza toda a cidade. Pois foram estes que cercaram o meu filho, junto de um dos seus bares, cerca de 15 a 20 delinquentes, exibindo armas, e lhe bateram, e… pasme-se… até o avisaram de que se contasse ao pai, eu que estou aqui presente, quase com 65 anos de idade,” lhe cortavam as orelhas e o matavam”… Pois o terror instalado na mente do meu filho foi tal que, nada me contou, saindo da cidade, em férias antecipadas, levando a esposa, sem nada lhe dizer. Vim a saber o que se passava por uma senhora da cidade que ouviu falar e me contou. Procurei o meu filho, já ele estava em casa; e notei nele um olhar tal que parecia saído do fundo de um poço. Disse-me que não me queria contar o pormenor de me cortarem as orelhas, mas para eu ter cuidado. Devo dizer que, no fim da tarde do dia seguinte, numa situação muito perigosa, pois nem a Polícia lá vai, fui ao bairro dos ciganos e mandei chamar o chefe do bando [...]; e o Chefe do clã [...]; e lhes disse que não se metessem mais com o meu filho, pois qualquer assunto, seja o que for, de futuro, é tratado comigo e não com ele. Se querem problemas, não se metam com ele; metam-se comigo. Pois se se meterem com ele, estão a meter-se comigo e é comigo que qualquer assunto desta natureza tem de ser tratado. Eu, que já tive 4 Car-Jacking na forma tentada; e, há 5 semanas, uma tentativa de um 5º Car-Jacking; para além me ver na contingência de atacar um gang de 5 ou 6 elementos, que na noite de Lisboa espancava um taxista, libertando este; desarmado mas não desautorizado, pois o bando fugiu… Eu que tenho a idade com que o meu pai morreu, tenho de superar a Polícia… e quantas vezes… fui a Polícia, nesta cidade e noutras em que tive mesmo de salvar a Polícia…consegui parar a violência sobre o meu filho, mas não a violência que grassa na cidade. A violência, com mortes, assaltos, roubos, extorsões e espancamentos por motivos fúteis e pura diversão, são uma constante. Por ora, não há militares, sejam soldados, sargentos ou oficiais a sentirem-se seguros numa visita à cidade de Abrantes. Mesmo em grupos numerosos, os militares, são provocados, intimidados, ameaçados, e espancados, perante numerosas armas apontadas. O 2º CMDT dos Páras de Tomar, consta que também foi espancado na cidade de Abrantes. Polícia, bombeiros, pessoal do INEM, vários empresários da cidade, seguranças e vários cidadãos já foram vítimas de espancamentos, alguns praticamente até o estado de coma. É óbvio que a Câmara Municipal de Abrantes, se veja preocupada com o possível encerramento do Parque Urbano de São Lourenço, a saída de famílias que já foram vítimas deste grupo, o encerramento de discotecas, e a exclusão da cidade como meio acolhedor para viver, investir e visitar. Há que tomar medidas.
Propostas: Levantamento exaustivo de todas as situações, mesmo que passado que seja o prazo para apresentação legal de queixas; Reunião com os Comandos Militares da Região, para obter um levantamento exaustivo de todos os casos ocorridos, mesmo que sem participação; Avançar com uma proposta de estado de sítio…e pedir ao Governo uma intervenção militar em força, que controle todos os movimentos suspeitos e faça detenções para revistas; Possível cerco ao bairro onde se acoita o grupo, com uma duração indeterminada de meses e controle de entradas e saídas; Rusgas minuciosas para encontrar a droga e as armas que traficam e frequentemente exibem; sem nunca serem encontradas pelos GOES; Escutas a pessoas chave, mas insuspeitas, que podem estar transmitindo informações confidenciais a estes marginais; Trabalho comunitário obrigatório para quem goza de subsídios de inserção social mas nada faz nem sequer se inscreve no Centro de Emprego; Controle apertado de todas as situações de gozo deste subsídio.
E que mais? Arranjem uma sala e um grupo de pessoas interessadas em receber formação para, caso se vejam envolvidas, saberem lidar com estas situações, pois o problema é o medo que se instalou e torna as pessoas ainda mais vulneráveis. Eu serei o Líder dessa formação.
E que mais? Ficamos por aqui?
Cabe uma palavra ao poder executivo!
Em força, já!...

 

. Onda de assaltos gera insegurança e revolta em Tramagal

Ao sentimento de insegurança vivido em Abrantes junta-se agora um clima de impunidade em Tramagal pela recente onda de assaltos que tem assolado a localidade. Só na noite de sábado para domingo foram três os estabelecimentos comerciais alvo de furto, com prejuízos consideráveis. As forças da autoridade a􀃭rmam já ter recolhido bastantes indícios de prova mas… falta o 􀃮agrante delito...
Nos últimos meses, as noites de Tramagal têm sido marcadas pelos relatos de inúmeros assaltos, quer a instituições, associações ou estabelecimentos comerciais e de restauração. Na noite de sábado para domingo foram contabilizados nada mais nada menos que três assaltos: a duas pequenas mercearias e à panificadora da localidade. A população tem-se mostrado paciente e afirma acreditar no trabalho das autoridades mas também realça que a paciência “tem limites” e que “se a autoridade não consegue resolver então a população terá de se mobilizar e travar a onda de assaltos”. Até agora, tudo tem sido feito pela calada da noite e sem confrontos diretos com os proprietários dos estabelecimentos assaltados. Mas, numa terra pequena, todos afirmam saber quem é quem… e o problema parece ser derivado de factores de toxicodependência e da necessidade de conseguir bens ou dinheiro para uma dose que mate a ressaca. João Ramos, proprietário do restaurante “O Grelhas”, por exemplo, chegou ao ponto de ir ter com o assaltante e pagar-lhe para que este lhe devolvesse o computador que havia furtado na noite anterior.
“Ele negou sempre, mas o facto é que a fotografia dele aparecia no ambiente de trabalho”, adianta João Ramos. Mais importante do que recuperar a máquina, o lesado queria recuperar a informação que tinha em computador e “ofereci 100 euros a quem mo entregasse. Cerca de um quarto de hora depois já tinha o computador”.
“O Grelhas” foi assaltado na madrugada de sábado, os meliantes levaram o portátil, vários cartões multibanco e cerca de 400 euros. “Não estragaram nada” e cerca das quatro da manhã usaram o cartão de crédito para fazer um levantamento na Caixa Agrícola. “A câmara filmou. Acho que há todas as provas, toda a gente sabe quem é, mas a GNR não tem poder para actuar e eles vão roubando. O vício é grande e a droga é muito cara. Estamos a falar em drogas duras”.

“Começa a ser um abuso”
A manhã de domingo acordou cinzenta e chuvosa e nos cafés centrais o tema de conversa gravitava em torno dos mais recentes assaltos. Ocorridos, aliás, nessa mesma noite, em três pontos distintos da localidade. Um popular, identificado por Ferreira, afirmou ao nosso jornal existir um sentimento generalizado de revolta relativa a uma situação que “começa a ser um abuso”.
“Ninguém se sente confortável e agora até já repetem assaltos às mesmas casas comerciais. Qualquer dia começam a invadir as casas das pessoas e depois como vai ser? Esta situação é insustentável e já muita gente fala em justiça popular. Não sei se é boa ideia ou não, sei é que isto não pode continuar assim”, afirmou.
Na loja “O Girassol”, situada junto ao edifício do mercado, os meliantes partiram o telhado e “afundaram” o teto falso, tendo por ali entrado... Custódia Picão, proprietária, não escondeu a sua revolta ao Abarca, tendo afirmado que os maiores prejuízos foram os derivados da destruição do telhado, de algumas prateleiras e da água da chuva que deixou muitos bens impróprios para venda ou consumo. “Eles o que procuravam era dinheiro mas na caixa só deixei moedas de cinco cêntimos e foi o que levaram. Era o que havia”, contou a empresária que nunca tinha sido vítima de um assalto.
João Oliveira, um colaborador seu, foi quem detetou que o estabelecimento havia sido assaltado. Manhã cedo, deslocou-se ao espaço comercial para receber uma encomenda quando se deparou com o telhado partido, prateleiras pelo chão, pegadas nos balcões. “Isto é tudo muito triste e as pessoas têm de se mobilizar e resolver de vez esta situação”, defendeu.
Contactado pelo nosso jornal, o capitão da GNR João Paulo Santos, responsável por esta força de segurança no concelho de Abrantes, confirmou que as autoridades estão “a deparar-se, nas últimas semanas, com um avolumar do número de ocorrências” (leia-se furtos) “o que tem originado maior alarido”. Segundo disse o responsável, o indivíduo (ou indivíduos) envolvido “está referenciado, já existem muitos meios de prova e muitos bens foram já recuperados e devolvidos às vítimas” de assalto. “Reforçámos o patrulhamento na localidade apesar das dificuldades e da amplitude da nossa área de intervenção”, afirmou João Paulo Santos, acrescentado que, neste momento, “está a decorrer um inquérito para obtenção de prova junto do Tribunal”. Adiantou também que, “não havendo um flagrante delito, o processo tem de seguir os seus trâmites legais”, apelando a que “apesar da recolha de bastantes provas incriminatórias”, todas as pessoas vítimas de furto “formalizem a queixa para que o autor dos factos seja devidamente responsabilizado”.

 

EDIÇÃO 270 | 14 OUTUBRO 2010____________________________________________________________________

. São Lourenço para todos

Carta de António Cartaxo (Restaurante São Lourenço)

"Na vossa última publicação, nº 269 de 7 de Outubro 2010, na página 8 no artigo “ O terror instalou-se em Abrantes”, podemos ler um testemunho do conhecido e respeitado abrantino Fernando Correia referente a uma intervenção pública decorrida na Assembleia Municipal de Abrantes. Queremos desde já demonstrar a nossa total solidariedade para com o assunto debatido e que cremos ser um problema global do concelho de Abrantes.
Mas não podemos no entanto deixar de clarificar uma passagem do testemunho público, que pode de alguma maneira induzir em erro os leitores deste prestigiado órgão de comunicação “Abarca”, passo a transcrever a passagem em causa, “… É óbvio que a Câmara Municipal de Abrantes, se veja preocupada com o possível encerramento do Parque Urbano de São Lourenço,…”
De facto esta situação não corresponde à realidade.
O Parque Urbano de São Lourenço continua em funcionamento desenvolvendo as suas actividades em pleno, em qualquer das áreas concessionadas. Mantemos a nossa cafetaria com o seu horário normal, o restaurante a funcionar aos almoços e jantares com o nosso conhecido buffet e o clube do pinhas a trabalhar com “miúdos e graúdos” mantendo o entretenimento como seu principal objectivo.
As “noites São Lourenço” que tinham como ponto alto o Bar, às terças e quintas, de facto encerraram temporariamente, tendo em conta os problemas de insegurança nocturna que levaram ao afastamento dos clientes.
No entanto, as “noites São Lourenço” continuarão a existir, numa lógica de jantares e festas temáticas, tentando assim, fazer viver o espaço e a cidade.
Aproveitamos para convidar os abrantinos a uma passeio pelo Parque que é desde a sua abertura, um cartão de visita de Abrantes.
Um bem haja.
"

 

EDIÇÃO 272 | 28 OUTUBRO 2010____________________________________________________________________

. Carta de cidadã abrantina publicada no Diário de Notícias

No seguimento dos recentes acontecimentos relativos à falta de segurança em Abrantes, o Diário de Notícias publicou na sua edição impressa de 16 de Outubro, uma carta de Júlia Ruivo, onde se pode ler uma descrição de mais um caso de roubo e veemente crítica à acção da Polícia de Segurança Pública de Abrantes.
Segundo a carta publicada, três casas desabitadas junto ao “Parque Urbano da Cidade de Abrantes, na Direcção de S. Jerónimo” duas delas propriedade de “uma senhora de 99 anos, sem filhos, residente em Lar” e uma outra de “seu irmão de 89 anos, residente noutro Lar, e de sua mulher de 86 que vive em Lisboa, com a mais velha das duas filhas do casal” têm sido “alvo de sucessivos assaltos”. Numa primeira investida os invasores apenas revistaram “cómodas e gavetas, procurando valores que não existiam”. Nas outras duas investidas “desmontaram esquentadores e levaram outros electrodomésticos”. Tais acontecimentos, refere Júlia Ruivo, levaram a que os proprietários retirassem todo o recheio das casas.
Júlia Ruivo, a irmã mais velha das duas filhas do casal, refere também que possui “uma Procuração, com poderes especiais para venda e tudo o que se relacione com as propriedades e as referidas casas”. “Na sexta-feira, dia 15 de Outubro” continua a carta, “um amigo da família verificou que duas das casas tinham sido novamente assaltadas, e os larápios, desta vez, tinham desmontado e levado integralmente, 12 janelas de alumínio e vidro duplo de abrir, e forçado as portas, igualmente de alumínio, num prejuízo que rondará os 5.000.00 euros”. Após tomar conhecimento destes acontecimentos, a signatária da carta “solicitou a um familiar que se deslocasse à PSP e levasse um agente ao local”. O Agente da PSP deslocou-se ao local e informou as filhas de todos os procedimentos a efectuar, “apresentar queixa na Esquadra e um cálculo dos prejuízos”.
Todos estes roubos e invasões foram, segundo Júlia Ruivo, ocultados aos seus pais, nomeadamente no dia seguinte, 16 de Outubro, quando “as filhas receando que a mãe de 86, pudesse ser vítima de ataque cardíaco, ao ver o fruto do seu trabalho e da sua vida destruído, decidiram não a informar do sucedido e levaram-na para junto do seu marido”. Por volta do meio-dia dirigiram-se à esquadra da PSP de Abrantes para apresentar queixa. A surpresa chegou quando não havia qualquer registo no “Livro de Ocorrências” da noite anterior, da “saída do 1º agente”. Um dos agentes que “presumiram tratar-se do Chefe de Esquadra” procurou saber se “as presentes eram as proprietárias”. Apesar de Júlia Ruivo se ter apresentado como detentora de uma “procuração com poderes especiais” e ter explicado a frágil condição dos idosos de 99, 89 e 86 anos e a respectiva incapacidade de deslocação e prestar de depoimentos, foi-lhe comunicado que “tinha de ser uma declaração específica para apresentação de queixa-crime, porque a Lei assim determinava”. Quando contactou a notária esta referiu-se à situação com alguma estranheza, como escreve Júlia Ruivo na carta publicada no Diário de Notícias, questionando como se pode “vender, registar, e dispor sobre um bem, e não se possa apresentar uma queixa-crime do mesmo bem”.
A carta diz ainda que “o sr. Chefe da PSP não procurou sequer saber o que tinha acontecido em concreto, nem quando, nem onde”, e acusa a PSP de não se interessar pelo que ocorre na cidade “a menos que a queixa seja apresentada de acordo com a Lei”. Questiona também como algo assim pode ter acontecido e a existência de uma “polícia desumanizada, que trata os Cidadãos como inimigos, não defende nem compreende a situação particular em que se encontram os idosos, preferindo ignorar as queixas, mesmos tratando-se de um crime semi-público, premiando assim, os Ladrões, que podem continuar a roubar livremente”.O texto acaba com a seguinte afirmação “Chamo-me Júlia Ruivo, sou a mais velha das filhas e posso provar tudo o que afirmo”.

 

. Segurança em Abrantes

Carta de João Baptista Pico (Conselheiro Municipal de Segurança em Abrantes)

A recepção de uma nota de Imprensa do Comando Distrital da PSP, via gabinete da presidência da CMA, que deduzo em resposta à minha tomada de posição dias antes e difundida no blog “picozezerabt” como Membro do Conselho Municipal de Segurança, onde em seguimento à ocorrência vinda à público no DN de 16 de Outubro, e que com estranheza não vejo explicada nesta Nota de Imprensa do Comando Distrital da PSP, nada conta da minha indisponibilidade para tomar assento em reuniões desse Conselho, enquanto não houver cabal esclarecimento da recusa da PSP de Abrantes, em aceitar a queixa de um roubo, nas casas de uma família de idosos octogenários, internados num lar.
A recusa da queixa negava à procuradora encarregada da venda desses mesmos imóveis roubados (arrancadas e levadas da casa, portadas e janelas de alumínio), filha do casal de idosos, a possibilidade em formalizar a queixa, só admissível aos proprietários.
Tal entendimento não está correcto, pois a procuradora tinha sempre a liberdade de tomar a iniciativa da queixa, para se ilibar de futuras responsabilidades diante dos mandantes e demais herdeiros, pois era de seu interesse provar o dano ocorrido. E assim ilibar-se de qualquer suspeita de conivência ou de falta de zelo pelo bem, que viu reduzir o seu valor comercial, após este roubo.
Quanto à Nota de Imprensa vejo uma manifesta contradição, quando assinala que as ocorrências criminais estão dentro dos parâmetros normais.
Todavia, nada abona a favor dos assinalados “parâmetros normais” quando é a PSP quem afirma que “está a intensificar o patrulhamento”, “está a efectuar formação em várias valências, que visa acautelar acções futuros e não presentes ou passadas, ao revelar que “ irão contribuir para a qualidade do serviço policial e o aumento da sua eficácia”.
MAIS: a PSP ao dizer que “estamos seguros que as medidas agora implementadas irão prevenir a ocorrência destes crimes, contribuindo assim para o aumento do sentimento de segurança da comunidade de Abrantina,” só confirma e certifica a pertinência do sentimento de insegurança sofrido em Abrantes.
Ainda bem que o Comando Distrital se sentiu no dever de tomar mais e melhores medidas de segurança.
Registe-se. Não sendo tudo o que se esperava, já vem no necessário e desejado bom caminho.

 

. Criminalidade em Abrantes “dentro dos parâmetros” diz PSP

O Comando Distrital da PSP de Santarém considera que "a criminalidade denunciada e detectada pela Esquadra da Polícia de Segurança Pública de Abrantes está dentro dos parâmetros de registo criminal normais".
Em comunicado, esta força policial destaca apenas duas situações: 1) "Um crime de ofensas à integridade física, e dois de danos - ocorreu num estabelecimento de pastelaria, onde num espaço de tempo reduzido, verificaram-se três ocorrências - o processo encontra-se em fase de investigação por parte da PSP, sendo que logo que este seja concluído será enviado ao Ministério Público junto do Tribunal Judicial da Comarca de Abrantes"; 2) "Suspeita de crime contra a integridade física e extorsão, a um responsável pela exploração de um bar – a investigação efectuada pela Polícia de Segurança Pública de Abrantes está concluída, embora neste caso falta apenas interrogar o arguido, que não compareceu para o referido acto processual".
No mesmo documento é afirmado que "a Polícia de Segurança Pública do Distrito de Santarém está a intensificar o patrulhamento apeado, quer através das suas equipas de intervenção rápida, quer através das brigadas de investigação criminal, além dos elementos afectos ao programa integrado de policiamento de proximidade". Por outro lado, é referido também que tem sido realizada "formação em várias valências, que naturalmente irão contribuir para a qualidade do serviço policial e aumento da eficácia na solução de algumas incivilidades, no combate à criminalidade e no aumento do sentimento de segurança".
Ainda através do comunicado, o Comando Distrital apela à colaboração dos cidadãos, pedindo que "qualquer assunto que considerem de interesse" seja comunicado à PSP no distrito de Santarém através do endereço electrónico rpub.santarem@psp.pt

 

EDIÇÃO 274 | 11 OUTUBRO 2010____________________________________________________________________

. “Sentimento generalizado de insegurança”, em Abrantes

Um ano depois de ter sido eleita e “depois de muitas diligências” efetuadas, a presidente da Câmara de Abrantes afirmou que “devido a um conjunto sistemático de incidentes, a cidade vive confrontada com um “sentimento generalizado de insegurança”.
Os casos reportados de delinquência, roubos e vandalismo, “desde há vários anos a esta parte”, e nem sempre alvo de participação às autoridades policiais por “medo de represálias”, apontam responsabilidades para “grupos de jovens”, proveniente de famílias desestruturadas, e grupos de etnias consideradas pela autarca como “problemáticas”.
A eles são imputadas responsabilidades em casos de “assaltos diários” a jovens para lhes roubarem dinheiro e telemóveis, “agressões” a pessoas à porta de casa, “assaltos” a viaturas estacionadas nas garagens dos prédios e a farmácias e residências (alguns com as pessoas dentro de casa), “agressões” a pessoas quando estão numa caixa de multibanco e “agressões violentas aos próprios agentes da autoridade, dentro da própria esquadra da polícia”.
A presidente da Câmara de Abrantes (PS) afi rmou aos jornalistas após a reunião de Câmara de segunda feira, dia 8, que, “hoje, existe um conjunto de incidentes que denunciados ou não, fazem com que em Abrantes não haja um sentimento mínimo de segurança, inclusive com ameaças e agressões aos próprios elementos das autoridades”.
Maria do Céu Albuquerque disse ainda que, em conjunto com a PSP distrital, Governo Civil de Santarém e MAI, está a “trabalhar na elaboração de um plano local de segurança”, tendo defendido um “reforço urgente de policiamento nas ruas”, a curto prazo, e “implementação de medidas sociais de inclusão para obter resultados de médio prazo”.
Os partidos da oposição com assento no executivo saudaram o reconhecimento público da autarca relativamente à matéria, tendo o vereador Santana Maia Leonardo (PSD) afi rmado que “um ano depois de eleita, só a senhora presidente e o senhor comandante da PSP se recusavam a ver o óbvio, continuando a afi rmar, perante a evidência, que o que se tem passado em Abrantes está dentro dos parâmetros da normalidade”.
O autarca social democrata defendeu que “se lance um alarme público e a implementação de medidas a jusante para integração dos jovens marginais”.
Carlos Arês, do movimento Independentes pelo Concelho de Abrantes, disse por sua vez que o problema “é não só policial mas também social”, tendo defendido a criação de um protocolo que “integre e sente à mesma mesa os vários atores locais da sociedade civil e de Estado”, um instrumento que considerou “fundamental” para combater os fenómenos da criminalidade e da delinquência no concelho.
O comissário Jorge Soares, do Comando da PSP de Santarém, afi rmou que as autoridades estão “atentas”, tendo afirmado que “algumas medidas foram já tomadas, embora discretas”.
“Em termos estatísticos, os registos apontam para valores similares às ocorrências verifi cadas nos últimos anos. Se as pessoas não apresentarem queixa não poderemos agir e atuar em conformidade com a implementação de outras medidas”, concluiu.