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28.outubro.2011 |

Saúde: Medicina Geral e Familiar apresenta o pior cenário

 
Médicos CHMT
 

Excesso e carência de médicos. Depende da especialidade. É esta situação em que se encontra o Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT). As conslusões constam do relatório das “Actuais e Futuras Necessidades Previsionais de Médicos (SNS)”, realizado pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS). Mas o que não deixa mesmo margem para ambiguidades é a falta de cerca de 1000 Médicos de Família cuja “capacidade de substituição geracional encontra-se fortemente condicionada”.

Medicina Geral e Familiar

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) conta com 5.478 especialistas em Medicina Geral e Familiar, mas deveriam existir mais 966 médicos, ou seja, um total de 6.444 especialistas, considerando a aplicação do rácio de um médico por cada 1.550 utentes.
No entanto, a ACSS prevê que “o modelo actualmente prosseguido de atribuição de 30% das vagas de internato médico para a especialidade de Medicina Geral e Familiar, mesmo num cenário de crescimento acentuado do número de diplomados em Medicina, revela-se insuficiente para fazer face às saídas por aposentação e ao cumprimento dos rácios populacionais”.

Centro Hospitalar do Médio Tejo

O CHMT dispõe de 26 especialidades médicas, para 21 das quais a ACSS apresenta o número de especialistas desejável. Existem assim, segundo o mesmo documento, 42 médicos a mais em sete especialidades e 48 médicos a menos em 13 especialidades. Apenas Radiologia e Medicina Física e Reabilitação dispõem do número ideal de especialistas.
Os maiores excessos registam-se na Cardiologia (17) e na Cirurgia Geral (10). Seguem-se Anestesiologia (6), Ortopedia (5), Gastrenterologia (3) e Cirúrgia Plástica Reconstrutiva (1).
Do lado oposto, as maiores carências encontram-se na Medicina Interna (13) e Ginecologia/Obstetrícia (10). Seguem-se Dermatovenereologia (5), Anatomia Patológica (3), Neurologia (3), Oftalmologia (3), Otorrinolaringologia (3), Psiquiatria (2), Infeccilogia (2), Nefrologia (1), Pneumologia (1), Reumatologia (1) e Urologia (1).
Estes resultados pressupõem que não haja recurso a horas extraordinárias ou a contratação de empresas prestadoras de serviços médicos e contabilizam apenas os médicos já detentores do grau de especialista.
Para além de cinco profissionais em pré-carreira, o CHMT conta com 261 especialistas, a maioria (110) com idades compreendidas entre os 50 e os 59 anos. Entre os 40 e os 49 anos contam-se 72, dos 30 aos 39 registam-se 48 e 31 especialistas têm mais de 60 anos, lê-se no mesmo documento.
No entanto, segundo a circular normativa de 6 de Junho de 2010 da ACSS os clínicos com 50 anos tem direito a pedir a ideixam de fazer noites e a partir dos 55 não fazem urgências. Ou seja, dos 261 médicos do CHMT, apenas 120 podem assegurar urgências, o que dá outra leitura bastante diferente dos númetos apresentados pela Administração Central do Sistema de Saúde.
O Centro Hospitalar do Médio Tejo, EPE, insere-se na Tipologia Hospitalar B1, ou seja, serve uma população de cerca de 250.000 a 300.000 habitantes e integra a Rede de Referenciação Hospitalar de Urgência/Emergência, com urgência médico-cirúrgica. A Tipologia Hospitalar B1 deve ter capacidade técnica para responder a, pelo menos 85% das necessidades globais e dispõe habitualmente de 20 a 24 especialidades.