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28.setembro.2011 |
Tramagal: “Tenho confiança que CTT se mantenham onde estão”
 
 

O presidente da junta de freguesia do Tramagal (JFT) acredita que a situação dos CTT se resolverá entretanto pois o processo de encerramento conheceu desenvolvimentos nos últimos dias. Responsável pela pastelaria candidata a receber os serviços diz que há um mal-entendido.
Realiza-se hoje, às 18h45, a manifestação do grupo de tramagalenses – Movimento Cidadania do Tramagal - que protesta contra o encerramento do posto dos correios na vila. São esperadas algumas centenas de manifestantes junto ao edifício em que ainda funcionam os serviços dos CTT. Victor Hugo Cardoso, presidente da JFT explicou o processo que levou a esta situação de eminente encerramento dos CTT na vila. “A questão do encerramento já existe há cerca de cinco anos. No início deste ano voltou a falar-se do assunto e em Março recebemos uma proposta por parte dos CTT para ficarmos com os serviços”. A proposta, conta, foi recusada mas “antes de terminar o prazo de 15 dias para responder fomos informados pelos CTT de que os serviços seriam entregues a terceiros”, no caso à pastelaria ‘Delícia’, “com todos os serviços associados menos os de aplicações financeiras”.
A junta ficou satisfeita por ver que os serviços ficariam garantidos à excepção da “mudança de edifício”. “O que nos preocupa é que o edifício não tem as condições mínimas para os serviços a prestar”, e explica que a JFT só soube do facto na 2.ª feira, “quando recebemos uma carta do rendeiro – ‘Delícia’ - pedindo à junta para se instalar na praça”. Este pedido será analisado e votado na próxima assembleia de freguesia, na 6.ª feira. A esperança de Victor Cardoso tem fundamento no facto de os CTT terem contactado a junta “no sentido de nos sentarmos e conversarmos, para estudar a situação” e também pelo recente adiamento em uma semana do encerramento do posto dos CTT junto à estrada nacional 118, factos que o levam a afirmar que tem “confiança que se mantenham onde estão”. “Nós não temos nada contra ninguém, só queremos que os serviços fiquem na vila, seja quem for que os assuma”.

Anabela Duarte da pastelaria sente-se “injustiçada”

“Um grande mal-entendido” é assim que justifica toda a celeuma em relação ao seu estabelecimento e à sua pessoa. Alguns tramagalenses têm manifestado o seu descontentamento com o encerramento do posto dos CTT junto de Anabela Duarte de 39 anos, responsável pela pastelaria ‘Delícia' que está na linha da frente para receber os serviços dos correios. “Tenho recebido pessoas na pastelaria com comentários… cruéis”. Visivelmente consternada com os problemas criados com o anúncio do encerramento, Anabela dissipa as dúvidas e mal-entendidos sobre o processo. “Um representante dos CTT veio ter comigo e disse terem feito uma proposta à junta que foi recusada. Explicou-me que o passo seguinte era encontrar uma solução na 2.ª linha, ou seja, clientes do pay-shop, e só depois livrarias, papelarias e outros comércios”. Anabela conta que a proposta “é inferior àquela oferecida à junta” mas que após conversa com o marido “achámos que seria viável se agregássemos outros serviços”. “Os únicos serviços que ficam de fora são os das aplicações financeiras, como PPR’s ou seguros”.
A responsável pela pastelaria afirma peremptoriamente, que quem fez a proposta “foram os CTT e não eu”. “Antes de me virem consultar vieram cá, sem se identificarem, observaram o edifício e foram embora”. A situação está a agastar Anabela, pois sente que a população está revoltada consigo, “as pessoas não têm sido correctas comigo, algumas são cruéis no modo como falam, pois pensam que fui em a causadora de tudo isto. É tudo um mal-entendido!”.

Petição com grande adesão

Petição já conta com mais de mil assinaturas, “entre 1000 e 1300, mas só depois das 16h haverá certezas”, afirmou Bruno Neto, propulsor do Movimento Cidadania do Tramagal contra o encerramento do posto dos correios de Tramagal, sendo que “só depois da concentração teremos números mais completos”. No manifesto do movimento lê-se: “Não aceitamos que estes serviços sejam entregues a uma pequena pastelaria. Todas as relações de cliente/prestador de serviço perdem em termos de sigilo, qualidade e segurança. São políticas de morte lenta para o interior de Portugal”.
O encerramento dos CTT na vila estava previsto para 6.ª feira, dia 30, mas foi entretanto adiado em uma semana.